27 de mar de 2010

A não-mumificação


Valorizar o passado é uma característica minha. Não quer dizer que viva nele ou dele. Conheço os velhos provérbios, clichês que falam a respeito e concordo com eles. Acontece que também não sou do tipo que queima cartas, embrulha objetos, presentes, fotos e joga tudo num saco plástico preto (no meu caso, como sou ambientalista, seria uma sacola vermelha biodegradável) pra só mexer depois de dois, três anos. Eu cutuco a ferida várias vezes pra sangrar bastante. E como tudo nessa vida é relativo (Einstein que me perdoe, mas adoraria que essa colocação fosse minha!), em algum momento, a dor não vai mais ser sentida. 


Diferente de quem (pensa que) se preserva, eu não uso curativo. Nem mesmo aqueles com maior oxigenação. Motivo: Se, de repente, uma lembrança qualquer surgir (materializada, abstrata, musicada, etc.) sem aviso prévio, lá vai a camada fina de pele - futuro cascão - ser arrancada à força e a dor (até então cessada) dar às caras novamente. Sabe lá quantas vezes, até o acaso decidir: "é chegada a hora da cicatrização". Eu não. Prefiro me expor. Até as impurezas do meio colaboram na criação de anticorpos para os próximos ataques... 

4 comentários:

Dom Rafa disse...

...E ai de quem jogar meu passado fora. Meu avô nasceu numa cidade no Rio q deve ter uns 500 viventes no máximo. A casa da família nessa cidade segue firme, apelidada de "A TUMBA". Ali, você acha documentos dos anos 20, revistas com a guerra do Vietnã na capa e Fotos de pessoas já esquecidas pelo tempo moderno. Verdadeiro museu. Muita coisa guardada minha já foi enviada pra lá. Nunca sabemos quando vamos precisar, né RedGirl? Beijos!

Eliana disse...

Como você mesma disse, citando Einstein, "tudo é relativo". Há momentos na vida que cutucar demais a ferida é retardar a cicatrização... Independente do tempo. Questão de escolha.

jose r disse...

faço munha as palavra de chico xavier, Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim

jose r disse...

faço minhas as palavras de chico xavier, Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim.