18 de mar de 2010


"E ela não passava de uma mulher... inconstante e borboleta." 

Clarice Lispector

2 comentários:

L.S. Alves disse...

Ainda bem, porque de constante basta-me a certeza da morte.

Lis. disse...

Olá Flávia...

Gostei dessa parte da metamorfose. Deve ser porque, estou familiarizado no metamorfose, e entendo de casulo, lagartas, borboletas, colecionadores, etc...

E tem um fato interessante sobre a lagarta quando ela se torna crisálida, concluindo praticamente a sua transformação em lepidóptero, resta-lhe passar por uma prova para se tornar verdadeiramente borboleta.

Tem de conseguir romper o casulo no seio do qual se operou a transformação, a fim de se libertar dele e iniciar o seu voo.

Se a lagarta teceu o seu casulo pouco a pouco, progressivamente, a futura borboleta em compensação não pode libertar-se dele da mesma forma, procedendo progressivamente. Desta vez tem de congregar força suficiente nas asas para conseguir romper, de uma assentada, a sua gola de seda.

É precisamente graças a esta última prova e à força que ela exige que a borboleta acumule nas suas jovens asas, que esta desenvolve a musculatura de que terá necessidade depois para voar.

Quem ignorar este dado importante e, imaginando "ajudar" uma borboleta a nascer, romper o casulo em seu lugar, assistirá ao nascimento de um lepidóptero totalmente incapaz de voar. Esta não terá conseguido utilizar a resistência da sua sedosa prisão para construir a força de que teria necessidade para subtrair-se àquela ganga e lançar-se seguidamente no céu.

Cumprimentos.