14 de nov de 2011

Linha do Tempo



A vida e suas passagens. Mais um capítulo da minha está chegando ao fim. O virar outra página, a expectativa do novo, a nostalgia do que ficou guardado no bauzinho de memórias. Foram 4 anos, não 4 semanas, ou 4 meses. A lembrança de quando entrei na faculdade ainda está bem viva em mim. Aparelho nos dentes (que estou tirando este mês), espinhas no rosto, a insegurança de quem está apenas começando... e um ideal no olhar de menina.

Valeu a pena cada noite em que, após longo dia de trabalho, eu me obriguei a ir à aula, cada vez que precisei abdicar de finais de semana ou feriados para estudar, fazer trabalho, cada pequeno esforço (inclusive, financeiro) agora se materializa e me retribui.


Para quem não conhece minha história, pode parecer exagero um post sobre formatura. "Ora bolas, tanta gente se forma e não faz parecer que ganhou na loteria ou entrou pro Guiness!". Mas eu conto pra vocês um pouquinho, pra que entendam melhor. Posso? :)


Cresci numa família simples. Não pobre. Nem rica. Simples, apenas. Não posso dizer que não tive tudo que quis. Meu pai ausente, minha mãe trabalhava duro para me sustentar com alguma ajuda da minha avó e de minhas duas tias. Mas também não posso dizer que tudo era fácil. Estudei sempre em escola particular e tudo que tive (ótimas roupas, brinquedos, a melhor comida, etc.) era conseguido com muito sacrifício.


Um dia, após trabalhar como instrutora de português, matemática e inglês num Kumon (primeiro emprego, salário baixinho), consegui (através de minha prima mais velha) uma vaga em um banco consagrado da cidade. Fazia empréstimos consignados (ou seja, ferrava a vida das pessoas). Mas não era feliz. Não tinha um curso superior e nem visionava ter, apesar da vontade. Não tinha a mínima noção do que significava a palavra "planejamento". Na verdade, independente do dinheiro e do tempo, não me achava capaz. Havia tentado vestibular para jornalismo na Universidade Federal do Pará e não havia passado. Desisti.


Foi quando conheci um anjo que mudou tudo que veio depois dele, em minha vida. Meu primeiro namorado de verdade (dessas relações que duram anos e criam raízes, permanecendo boas lembranças mesmo depois que acabam - o que foi o caso). Ele me fez enxergar em mim o que nem eu era capaz de ver. 


"Veja como escreve bem! Você tem um mega potencial. Por que não tenta de novo?" E eu ia acreditando naquilo, aos poucos até percebendo que tinha razão. Foi quando, com incentivo dele, voltei a estudar. Larguei o banco que não me fazia feliz e me permiti tentar novamente. Naquele ano, o vestibular tinha aberto cotas para quem havia concluído o 2º grau em colégio público e isso me impediu de ser aprovada de maneira vergonhosa (com a mesma colocação / pontuação, eu teria passado no ano anterior, antes das cotas). 


Achamos que não dava para esperar mais um ano, já havia perdido muito tempo. Foi quando me matriculei em uma faculdade particular, esperando que conseguisse logo um estágio que pudesse bancar a mensalidade sem ajuda dele, de minha mãe, de ninguém. E foi exatamente o que aconteceu. Logo no segundo semestre, consegui um estágio. Pagava parcialmente meu curso, até agregar uma nova função dentro da mesma empresa e ganhar um aumento que passou a cobrir toda a parcela. Nem me importava que não sobrasse nada. Sentia prazer em pegar todo meu dinheiro no final do mês e investi-lo em mim.


Os dois anos de estágio estavam chegando ao fim, quando o coordenador do curso de jornalismo me procurou pela faculdade e - para minha surpresa - me ofereceu o emprego dos meus sonhos: trabalharia na minha área, produzindo um programa de TV ao vivo, diário, carro-chefe da emissora. O salário, o dobro do que ganhava no estágio.


Continuo na TV. No próximo dia 24, apresento o painel do meu TCC. Uma espécie de "defesa" para quem escolheu a tipologia 'produto' (uma revista que pretendo comercializar na próxima edição). E nem acredito que no final do mês pagarei a última mensalidade - suada - de um sonho. Sou, finalmente, jornalista. 


Primeiro casamento terminou pacificamente. Depois dele, outra relação que também terminou. E agora outra, que me conduz ao altar. Em janeiro ou fevereiro do próximo ano, assumo o compromisso de uma vida a dois. Casa, contas, quem sabe filhos e cerca branca, como nos comerciais de margarina.


The (happy) End!


To be continued...