30 de out de 2010

Ser e tocar.


Não sei se a vida é curta ou longa para nós, mas sei que nada do que vivemos tem sentido se não tocarmos o coração das pessoas.

Muitas vezes basta ser: colo que acolhe, braço que envolve, palavra que conforta, silencio que respeita, alegria que contagia, lágrima que corre, olhar que acaricia, desejo que sacia, amor que promove.
 
E isso não é coisa de outro mundo, é o que dá sentido à vida. É o que faz com que ela não seja nem curta, nem longa demais, mas que seja intensa, verdadeira, pura enquanto durar. Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina. 
(Cora Coralina)

"... passava o resto do dia representando com obediência o papel de ser."

"Não me prendo a nada que me defina. Sou companhia, mas posso ser solidão. Tranquilidade e inconstância. Pedra e coração. Sou abraços, sorrisos, ânimo, bom humor, sarcasmo, preguiça e sono! Música alta e silêncio. Serei o que você quiser, mas só quando eu quiser. Não me limito, não sou cruel comigo! Serei sempre apego pelo que vale a pena e desapego pelo que não quer valer…" 
“Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato... Ou toca, ou não toca."
(Clarice Lispector)

21 de out de 2010

Who should we blame?

Super Homem: Não tão rápido, criminoso!

Assaltante: Espera! É mais complexo do que você pode imaginar. Estou assaltando para alimentar minha família!

Super Homem: Por que não consegue alimentar sua família?

Assaltante: Os idiotas da fábrica não nos pagam o suficiente.

[...] Na fábrica.

Dono da fábrica: Espera! Nós queremos pagar mais, mas os idiotas do governo nos desincentivam  muito!

[...] 

Representante do governo: Espera! Nós queremos apresentar um sistema econômico melhor, mas os economistas não entendem muito bem o caos...

[...]

Economista: Espera! Adoraria entender o caos, mas o mundo é cheio de variáveis ocultas!

Super homem, desolado: Então... em quem eu bato?

Economista: Realidade é complexa. Se você quer qualquer coisa parecida com uma resposta, você precisa aprender física, matemática, filosofia, história...
...

20 de out de 2010

Couvert artístico: Você concorda?

Estou produzindo na TV Cultura o próximo programa Controvérsia, que traz como tema o Couvert Artístico. Pesquisando artigos de base legal, notícias, opiniões de blogueiros, etc., encontrei esta situação a seguir (Blog do Barzinho) e resolvi postar. Achei interessante levantar essa polêmica questão. 


Afinal de contas, quem concorda com a cobrança do couvert artístico? Deixo claro, antes de qualquer coisa, que não me posicionarei acerca do assunto. Primeiro porque a lei já o faz por mim: a obrigatoriedade dessa taxa é inconstitucional. Segundo porque, mesmo que quem acabe levando a vantagem seja o dono do estabelecimento, a maior parte dos músicos defende a prática. Então... tratando-se de Brasil, acaba tudo em pizza mesmo! Mas a historinha vale a pena conferir. 

Um amigo de um amigo meu propôs ao dono da casa:

- Que tal se, ao invés de o senhor me pagar por couvert, não acertássemos um fixo?

- Mas o couvert acaba dando mais grana que um fixo! Vai ser melhor pra você! A casa bomba!

- É mesmo? Então o porque o senhor não acerta um fixo comigo e fica com o couvert para a casa?

- Ah, mas aí pra mim não compensa... vai que a casa não enche...


Será que o cara é esperto?

18 de out de 2010

Proseando


Prosear é um jeito de falar. Fala sem objetivo definido, como o vôo dos urubus - indo ao sabor do vento. Palavras fluindo. Um jeito taoísta de ser. Para prosa não existe 'ordem do dia', não há conclusões, não há decisões. 

A prosa não quer chegar a nenhum lugar. A prosa encontra sua felicidade em prosear. Como andar de barco a vela em que o bom não é chegar mas o 'estar indo'. 'A coisa não está nem na partida nem na chegada, mas na travessia', Guimarães Rosa. Prosear é brincar com as palavras. 

Escrevi uma crônica com o título Tênis x Frescobol, sobre dois tipos de fala. Fala do tipo Tênis tem um objetivo preciso: reduzir o outro ao silêncio por meio de uma cortada. Ter razão. Ganhar o argumento. Convencer. Sempre termina mal. Um ganha, fica feliz e se sentindo superior. O outro perde, fica com raiva e se sentindo inferior. Frescobol é diferente. A felicidade do jogo está em estar acontecendo, em não parar, vai, vem, vai, vem, vai, vem, como numa transa indiana, sem orgasmo, feita de um prazer permanente que não acaba. 

O orgasmo na transa, como a cortada no tênis, são o fim do brinquedo. Saber prosear, jogar conversa fora, é o segredo das relações amorosas. Nietzsche dizia que quando se vai casar a única pergunta importante a se fazer é 'terei prazer em conversar com essa pessoa quando eu for velho?' Nessa sala estaremos proseando. Falar sobre o que der na telha. Pensamentos avulsos. Dicas. Informações sobre as coisas novas na minha casa. Apareça sempre para prosear!

17 de out de 2010

É o Que Me Interessa
Lenine

Daqui desse momento
Do meu olhar pra fora
O mundo é só miragem
A sombra do futuro
A sobra do passado
Assombram a paisagem.

Quem vai virar o jogo
E transformar a perda
Em nossa recompensa
Quando eu olhar pro lado
Eu quero estar cercado
Só de quem me interessa.

Às vezes é um instante
A tarde faz silêncio
O vento sopra a meu favor
Às vezes eu pressinto e é como uma saudade
De um tempo que ainda não passou
Me traz o seu sossego
Atrasa o meu relógio
Acalma a minha pressa
Me dá sua palavra
Sussurra em meu ouvido
Só o que me interessa.

A lógica do vento
O caos do pensamento
A paz na solidão
A órbita do tempo
A pausa do retrato
A voz da intuição
A curva do universo
A fórmula do acaso
O alcance da promessa
O salto do desejo
O agora e o infinito
Só o que me interessa.

11 de out de 2010

Troca justa


"Bem... Eu precisava de um coração, já que te dei o meu...

Então achei válido roubar o teu." (L.M)

9 de out de 2010

Acorda



Há exatamente 365 dias, eu também postava às vésperas da maior manifestação religiosa da América Latina (e maior cristã do mundo): http://flaviaescarlate.blogspot.com/2009/10/cirio-outra-vez-pe.html.

De lá para cá muita coisa mudou (em diversos aspectos: pessoal, profissional, acadêmico). Pessoas que jamais imaginei que fossem embora simplesmente foram. Outras se apresentaram no palco da minha vida. Emprego novo, novas perspectivas, alguns velhos sonhos readaptados às novas condições. Agora falta um pouco mais de um ano pra eu me formar e fechar mais um ciclo.

Continuo chorando pela vozinha quando conto suas peripécias, escuto uma música bonita ou simplesmente lembro do amor que me dedicava, de um jeito que era só dela. Outubro a torna mais forte em mim, principalmente ao escutar "Círio outra vez" do Pe. Fábio. A devoção e fé que ela tinha é meu legado. A linda imagem de Nossa Senhora de Nazaré que ganhei num sorteio teria trazido um brilho a mais aqueles olhinhos. *lágrimas*

Em quase todo canto do mundo, o ano novo é um momento de renovação no qual fazemos novos votos (ou os de sempre), lembramos de tudo que fizemos durante o ano, nos auto analisamos e prometemos fazer tudo melhor no ano seguinte, abandonando os velhos erros, desatando alguns nós e começando do zero. Aqui também fazemos isso durante o Círio. Estou fazendo isso agora.

Para algumas pessoas eu nunca mudarei. São aquelas que rotulam, que julgam mais do que analisam e pensam tão linearmente que são incapazes de detectar as oscilações da vida. A vida não é linear como essas pessoas o são. A vida nos apresenta facetas diferentes a cada amanhecer. Eu tenho o dom de percebê-las e senti-las. 

Sou como a chama de uma vela. Se a casa está trancada, ninguém entra, ela está calma. Mas se alguém abre a porta ou a janela e passa por perto, ela balança... sem jamais apagar (minha energia também é renovável). Minha sina, meu carma ou meu presente de Deus. Eu me permito conhecer novas cores, novas realidades e - ainda assim - estar presa ao passado de alguma forma. Porque sei o que realmente me importou e ainda me importa nessa vida. 

Mas... sempre tem o outro lado da moeda e aliado a qualquer dom... Novas realidades me fascinam e me atraem. "Portas são feitas para serem abertas", pensaria Alice. Infelizmente, uma vez aberta uma porta, fica difícil enxergar a realidade anterior da mesma forma. Tal qual Sócrates no "Mito da caverna" (só para constar: sei que o mito é de Platão, mas me refiro ao protagonista da história e não ao autor). Meu desafio é descobrir se devo continuar abrindo as portinhas e correndo pelo país das maravilhas atrás de um coelho que está sempre atrasado (é a tendência de quem não se conforma em fazer uma coisa só e tenta várias ao mesmo tempo) ou  se o certo é resistir a elas e passar o resto da vida dentro de uma só realidade.

Quem sabe entrar nas portas, sem me deixar seduzir pelas novas paisagens...

Reflexões à parte, hoje sou mais livre que a um ano atrás. Estou liberta de mim mesma, de alguns medos, preconceitos. Enquanto no post do dia 09/10/2009 estava prestes a fazer 25, neste estou prestes a fazer 26 (é, não tenho vergonha de dizer minha idade. Ainda...rs) e é incrível como um ano pra mim faz tanta diferença! É como se meu reloginho interno não seguisse o tempo cronológico e 1 mês representasse 1 ano, 1 ano representasse 2 e por aí vai.

Dentre algumas músicas católicas, eu escolhi uma para postar aqui hoje. Porque uma das lições deste ano foi exatamente essa: "quanto maior tua graça, maior tua responsabilidade". Sou uma pessoa muito afortunada, mas o excesso de bençãos, de amor que sempre tive me faz ainda mais humana e passível de erros. "E que minha loucura seja perdoada. Porque metade de mim é amor e a outra metade também." (Oswaldo Montenegro)

Ao coração 
(Pe. Fábio de Melo)

Deus me entregou bem mais do que mereço


Talvez seja por isso que eu me cobre um pouco mais





Não que eu não seja capaz
Mas, às vezes, é difícil

Nem sempre eu sei fazer, o bem que eu desejo
E, às vezes, eu me vejo
Me enganando sempre mais
Não que eu não queira acertar
Mas nem sempre é possível

Já me condeno tanto
Pelos erros que na vida eu cometi
Pelas vezes que eu não soube decidir
E assim, meu coração gritava, desespero de quem ama
Coração, tu que estás dentro em meu peito
Me condenas desse jeito
E eu não sei por qual motivo
Só te peço, por favor, eu sou humano
Não me condenes assim

Humano eu sou assim: virtudes e limites
Se agora me permites
Eu aprendo ser feliz
Sem prender-me ao que não fiz
Mas olhando o que é possível

A dor que, às vezes, vem
Me faz feliz também
Pois ela me recorda o valor que tem a cruz
Quando a noite esconde a luz
Deus acende as estrelas


Feliz Círio a todos (até aos não paraenses)! Que a corda acorde o coração de quem mais precisa neste momento. Viva Nossa Senhora de Nazaré! \o/

7 de out de 2010

Resposta inteligente


Tenho uma colega de trabalho que é uma exímia doceira. Ela faz bolos, brigadeiros, pudins e tudo o que há de mais gostoso pra vender e traz pra galera se endividar e engordar um pouco...rs

Aí ontem estava compenetrada em minha mesa, trabalhando, quando minha chefe perguntou a um funcionário super inteligente daqui que é diabético- enquanto provava as delícias da colega doceira: "Égua, Tim! Como é que tu consegues viver sem doce?!"

Ele nem titubeou e respondeu: "Eu não viveria com, mesmo!"

Eu não aguentei e comecei a rir. Virei pra ele e disse: "Excelente resposta, Tim!"

Ainda fico rindo sozinha, de vez em quando, ao lembrar dessa resposta. Acho que todo hipertenso (o que ele também é), diabético e obeso (etc e tal) deveria pensar assim na hora de ter que resistir às delícias celestiais que tentam seduzi-los...rs 

3 de out de 2010

Inquietude


Estou comprando...
Oração
Reza
Feitiço, que seja!

Que possa Me curar desse despropósito
Dessa inquietude sem nexo
Reação anômala de não Me saber
De mentir-Me
Mitos
Demitidos

Que me faça atravessar
Esse quotidiano insólito de sentido amorfo
Esse muro de perplexidade consciente
E ciente do Nada

De um Nada

Que dói


(Wanda Monteiro)