22 de dez de 2009

Paraense é pai d'égua!



Não há nada mais paraense que ir pra Praça da República no domingo, se abrigar da chuva no coreto e ainda ouvir alguém dizer: "Égua, arriou!".

15 de dez de 2009

۝ Mundos ۝



 Cada um de nós tem um mundo diferente. É como um código genético ou uma impressão digital: Insubstituível. Apesar de compartilharmos sensações e vivências, temos nosso próprio conjunto de células e sinapses. Ninguém jamais saberá como é estar em nossa própria pele. A união de tudo, de todas as percepções, se dá para cada ser de forma única. É daí que vem o prazer em fazer novos amigos. Conhecer alguém é como fazer ou receber uma visita. Alguns tiram o sapato antes de entrar, outros simplesmente vão invadindo. Alguns parecem médicos. Outros, demoram uma vida inteira. Em alguns casos a conversa tá boa, a companhia agradável, mas por um motivo qualquer, é hora de ir embora.

A paixão traz consigo lógica semelhante: Primeiro rola profundo interesse em conhecer aquele ponto turístico, cultura, clima. Você arruma as malas e se manda pra lá. Depois vem a fase da descoberta. Tudo é tão gostoso que nos faz querer viver ali por tempo indeterminado. Até que - num dia qualquer - enquanto você caminha distraída, uma propaganda turística passa do seu lado pela rua e lhe chama a atenção. E lá vai você de novo comprar passagens, fazer as malas, encaixotar as cartas e as fotografias antigas e seguir viagem. 


Será que vem daí a expressão "partir para outra"?

A vida é isso que escreveu Lulu Santos, "um indo e vindo infinito". Mundos diferentes em órbita. Órbitas paralelas que nunca se cruzam, órbitas coincidentes (mãe e filho ou casais que ficam juntos até que a morte os separe), órbitas concorrentes ou perpendiculares (unidas num determinado ponto, para mais tarde seguirem caminhos opostos). Órbitas. Mundos. Galáxias. Quem sabe até uma outra realidade sideral, como discute a física quântica e os loucos da ufologia?

O fato é que ninguém conhecerá por inteiro o mundo de outro, por mais vidente ou paranormal que essa pessoa possa ser. No seu, você - e somente você - conhece suas dores, ânsias e medos mais profundos. Por isso não é válido aconselhar (dar opiniões apenas quando for consultado), não julgar (mas observar bastante) e sim tirar proveito do aprendizado alheio, contentando-se com o que de bom as pessoas têm para lhe oferecer. Quando lhe ofertarem o pior, basta aceitar e fazer dele uma bula de contra-indicações para seguir.

Preserve seu mundo, ele será sua casa para sempre. Conheça-o bem, já que mais ninguém terá capacidade para tal. Respeite seu ecossistema pra que o clima não aqueça além do devido, as geleiras não desmanchem, a matéria orgânica não morra e os sentimentos não guerreiem por ínfimos motivos. 


Visite outros lugares, mas nunca, nunca, se perca em nenhum deles.  

10 de dez de 2009

PROGRAMAÇÃO PARA O FIM DE SEMANA






Política: uma experiência enriquecedora.


adoro a Mafalda!

9 de dez de 2009

"Viver a Vida" do jeito que o 'plim-plim' quer

Mesmo não sendo noveleira (na verdade televisão é algo profundamente entediante pra mim), a nova de Manoel Carlos, "Viver a Vida", tem me chamado atenção. A protagonista Luciana, (interpretada pela atriz Alinne Moraes) mimada e em pleno deslanchar de sua carreira de modelo, sofre um drástico acidente de carro que lhe deixa tetraplégica.

A lição de esperança, força de vontade e superação é - de fato - uma boa faceta do tema central da trama. Mas, não sei... há alguma coisa de não-convincente aí. Primeiro que dentro do Projac pobre leva vida de rico. Perdoem-me os defensores do "plim-plim", mas o padrão de pobreza que eu conheço é outro. Segundo que, de alguma forma, sempre é passada essa idéia de resignação que não engulo. Os vilões quase sempre são ricos e os mocinhos pobres e felizes que fazem festa o tempo todo, vivem rindo, se divertindo. "Pobre é que é feliz". Será que é mesmo assim ou... é o que o sistema acha conveniente que pensemos?

Deve ser porque Deus quis...

 
"Diz que deu
Diz que dá
Diz que Deus dará
Não vou duvidar, oh nega
E se Deus não dá
Como é que vai ficar, oh nega
Deus dará, Deus dará"





Outra: acho ótimo que a sociedade encare a situação mais de perto, que os deficientes se identifiquem com o cotidiano da Luciana (como, se ela é rica?), dificuldades, decepções, superações, etc. Mas o autor deveria - não sei se ainda vai - colocar em tese a (falta de) infraestrutura urbana para essas pessoas. Só no Rio de Janeiro - cenário da trama - entre os mais de 5,8 milhões de moradores do município, pelo menos 14% sofrem de alguma limitação física ou mental (Censo 2000, IBGE). E mesmo com a estatística elevada, não há um número suficiente de transportes públicos adaptados. Em contrapartida, há ruas e avenidas esburacadas, desniveladas, calçamentos irregulares e o pior: sem sinalização - o que se torna problema até para o restante da população.

E como tudo nessa vida tem um lado positivo...

  • Algo que tem sido repetido, nos capítulos que acompanhei, ajuda no combate ao preconceito: "Foi com ela, mas poderia ter sido comigo".
  • Palmas também à velha receita de lágrimas do Manoel Carlos de colocar depoimentos reais de pessoas que passaram por processos de superação.
E acompanhemos o desenrolar de mais essa novela  com a primeira Helena negra da teledramaturgia Manoeliana.


4 de dez de 2009

Medo da Eternidade




















Jamais esquecerei o meu aflitivo e dramático contato com a eternidade.


Quando eu era muito pequena ainda não tinha provado chicles e mesmo em Recife falava-se pouco deles. Eu nem sabia bem de que espécie de bala ou bombom se tratava. Mesmo o dinheiro que eu tinha não dava para comprar: com o mesmo dinheiro eu lucraria não sei quantas balas.

Afinal minha irmã juntou dinheiro, comprou e ao sairmos de casa para a escola me explicou:

- Como não acaba? - Parei um instante na rua, perplexa.

- Não acaba nunca, e pronto.

- Eu estava boba: parecia-me ter sido transportada para o reino de histórias de príncipes e fadas. Peguei a pequena pastilha cor-de-rosa que representava o elixir do longo prazer. Examinei-a, quase não podia acreditar no milagre. Eu que, como outras crianças, às vezes tirava da boca uma bala ainda inteira, para chupar depois, só para fazê-la durar mais. E eis-me com aquela coisa cor-de-rosa, de aparência tão inocente, tornando possível o mundo impossível do qual já começara a me dar conta.

- Com delicadeza, terminei afinal pondo o chicle na boca.

- E agora que é que eu faço? - Perguntei para não errar no ritual que certamente deveira haver.

- Agora chupe o chicle para ir gostando do docinho dele, e só depois que passar o gosto você começa a mastigar. E aí mastiga a vida inteira. A menos que você perca, eu já perdi vários.

- Perder a eternidade? Nunca.

O adocicado do chicle era bonzinho, não podia dizer que era ótimo. E, ainda perplexa, encaminhávamo-nos para a escola.

- Acabou-se o docinho. E agora?

- Agora mastigue para sempre.

Assustei-me, não saberia dizer por quê. Comecei a mastigar e em breve tinha na boca aquele puxa-puxa cinzento de borracha que não tinha gosto de nada. Mastigava, mastigava. Mas me sentia contrafeita. Na verdade eu não estava gostando do gosto. E a vantagem de ser bala eterna me enchia de uma espécie de medo, como se tem diante da idéia de eternidade ou de infinito.

Eu não quis confessar que não estava à altura da eternidade. Que só me dava aflição. Enquanto isso, eu mastigava obedientemente, sem parar.

Até que não suportei mais, e, atrevessando o portão da escola, dei um jeito de o chicle mastigado cair no chão de areia.

- Olha só o que me aconteceu! - Disse eu em fingidos espanto e tristeza. - Agora não posso mastigar mais! A bala acabou!

- Já lhe disse - repetiu minha irmã - que ela não acaba nunca. Mas a gente às vezes perde. Até de noite a gente pode ir mastigando, mas para não engolir no sono a gente prega o chicle na cama. Não fique triste, um dia lhe dou outro, e esse você não perderá.

Eu estava envergonhada diante da bondade de minha irmã, envergonhada da mentira que pregara dizendo que o chicle caíra na boca por acaso.

Mas aliviada. Sem o peso da eternidade sobre mim.

.::Clarice Lispector::.

25 de nov de 2009

A aluna e o professor




- Maria, me perdoe, mas você se veste como adolescente. Não parece ser madura o suficiente para assumir esse cargo da minha empresa. – disse João à Maria.

João é professor. Maria, estudante de jornalismo. Ela pleiteia uma vaga na empresa dele.

- Perdoe-me, professor, mas roupa não reflete personalidade.

- Defendo a teoria de que toda pessoa reflete, sim, por fora o que é por dentro – disse, torcendo o pescoço enquanto ajeitava a gravata.

- Até pareceria convincente, professor, caso eu não conhecesse grandes homens, pesquisadores da Universidade Federal do Pará, que de longe parecem mendigos. Pra mim, isso de “roupa reflete personalidade” é discurso capitalista, pós-revolução industrial, professor.

- Não me referi à posição social, querida aluna.

- Se você não entendeu, querido professor. Eu também não me referia à posição social. Homens feitos, mulheres maduras não necessariamente precisam se vestir social, falar formalmente – a não ser dentro da empresa que trabalham... e isso, dependendo da profissão ou do cargo que ocupam.

- Ta certo, Mariazinha. Como dizem os grandes cientistas Albert Einstein e Newton, respectivamente: “Tudo é relativo” e “tudo depende do referencial adotado”.

- Ta errado, Joãozinho. Albert Einstein inventou – de fato – a teoria da relatividade. E ela engloba essas suas duas afirmações. Já Newton criou três leis:
  • 1ª lei - Inércia: Todo corpo continua em seu estado de repouso ou de movimento uniforme em uma linha reta, a menos que seja forçado a mudar aquele estado por forças imprimidas sobre ele.
  • 2ª lei - Dinâmica: um corpo em repouso necessita da aplicação de uma força para que possa se movimentar, e para que um corpo em movimento pare é necessária a aplicação de uma força.
  • 3ª lei – Ação e reação: A toda ação há sempre oposta uma reação igual, ou, as ações mútuas de dois corpos um sobre o outro são sempre iguais e dirigidas a partes opostas.

- Portanto, professor, para usar com eficácia as três de Newton, o senhor deveria sair da inércia e estudar mais, aplicar uma força na sua empresa para que ela se movimente adiante e lembrar-se de que para toda uma ação, há uma reação, antes de abrir a boca para falar abobrinhas.

[...]

- E quer saber mais? Uma empresa dessas cujo dono vai atrás de argumentos científicos quando os dele acabaram, um professor que não entende nem das matéria do ensino médio, não merece uma funcionária nem uma aluna como eu!

E foi assim que Maria mudou de faculdade.


20 de nov de 2009

Blog(s) perfeitinho(s)

TODOSOSDIAS UMA SURPRESA DIFERENTE!:)

Da minha querida amiga Gabi recebi este meigo selinho! Mais uma vez, fiquei muito feliz e lisonjeada com a surpresa! Ela tá me acostumando mal...rs

Bom, como tradição, devo passar o testemunho a outros blogs, que deverão - assim como farei - responder ao questionário (abaixo).

Mania: Várias. Sou cheia delas! Por exemplo, me balançar enquanto falo, explico, apresento algo.

Pecado capital: Luxúria.

Melhor cheiro do mundo: Gosto de sentir nas pessoas cheirinho de limpeza. Sabonete líquido, shampoo, perfume. É bom.

Se o dinheiro não fosse problema: Eu conheceria o mundo inteiro.

História de infância: Nossa, são tantas! Eu aprontei bastante...rs

O que não gosto de fazer em casa: Na verdade eu não gosto de afazeres domésticos.

Habilidade na cozinha: Comer TUDO que nela é preparado! :D

Frase preferida: Escolherei uma bem legal para colocar aqui, porque são muitas, é difícil escolher.

Passeio para o corpo: A ilha de Algodoal.

Passeio para a alma: Qualquer lugar com minha família e amigos.

O que me irrita: Metódica, ranheta. Quase tudo me irrita. Gente que fala muito alto, que cutuca conversando, programas
imbecis, piadas racistas e preconceituosas, gente que mastiga fazendo barulho... mas o que mais me irrita é a futilidade.

Frases e palavras que mais uso: Expressões sempre surgem, viram moda, depois desaparecem. No momento acho que não tem nenhuma.

Palavrão mais usado: Não gosto de palavrões.

Talento oculto: Se é oculto ainda estou para descobrir!:D

Não importa que esteja na moda, eu nunca usaria: Mini-saia.

Queria ter nascido a saber: o segredo da velhice.

E os blogs PERFEITINHOS são:

- bipolaridades (http://gabi-bipolaridades.blogspot.com/)

- Can you read my mind? (http://raissabiolcati.blogspot.com/)

- aquinomundo (http://aquinomundo.blogspot.com/)

- Universo Verbal (http://gabrielleavelar.blogspot.com/)

- Essência Abstrata (http://ideiasassoltas.blogspot.com/)

17 de nov de 2009

Uma tática diferente...



Ontem saí do trabalho no horário costumeiro e não quis pegar um fresquinho (o transporte é mais rápido e confortável, mas muito caro). Então peguei uma linha comum mesmo, um a das duas que não costumam encher até meu destino. Lá no fundão sentei ao lado de uma mulher magra, franzina, cabelos curtos e expressão de cansaço, abatimento. Um menino dormia (ou descansava) com a cabeça em seu colo. Ela tinha em mãos uns papéis desses que são distribuídos por pedintes nos ônibus. "Deve ter distriuído e agora volta pra casa", pensei.

Ela me olhou, olhou para os papéis. Me olhou novamente, olhou para os papéis. "Ih... acho que ela vai me dar um desses recadinhos", retruquei comigo mesma. Não deu outra. Ela entregou o papel a mim e a um rapaz que sentava no banco da frente (talvez para disfarçar). Dei R$1,00 a ela, que me agradeceu com um sorriso bastante simpático. Que bom. Nada pior que fazer uma doação e receber um olhar de "só isso?", seguido de nenhum agradecimento.

De um silêncio sepulcral, um comentário dela:

- Esses ônibus só vem lotados, né?

- Até que esse e o Canarinho não passam muito lotados. Por isso costumo pegá-los.

Começamos a conversar. Nos primeiros instantes a observava com olhos de Paulo Roberto (meu professor de jornalismo impresso I e II), lembrando de seus sábios conselhos: "Prestem muita atenção em tudo e em todos, pois de momentos comuns às vezes surgem grandes perfis". Ele é fã de perfis - reportagens especiais sobre alguma personalidade, famosa ou não. Uma espécie de biografia.

De ônibus lotados, e com meu interesse jornalístico aflorando a cada segundo, passamos a falar dela, mais especificamente. Quantos filhos tem, como sobrevive, onde mora, etc. Após abortar naturalmente duas vezes, ela conseguiu ter duas crianças: um menino (que estava com ela naquele momento), o mais velho, e uma menina (que ela deu para uma família de melhor condição financeira). Sobrevive de esmolas que pede nos ônibus.

- E dá pra viver com o que você ganha?

- Dá sim! Eu compro leite, açúcar, pão... E ainda tenho sorte pra achar as coisas! Outro dia esse aqui passou por uma nota de R$10,00 e não viu. Eu corri e agarrei! Disse pra ele: 'Meu filho, quer comer churrasquinho?' e ele respondeu: 'Quero, mãe!', aí a gente foi comer. E é assim...

Um dos maiores erros de um jornalista é se envolver com as fontes.  A regra é: apurar, relatar e informar. Notícias, notícias, sentimentos à parte. Certo? Marinheira de primeira viagem, ignorei o ditame e continuei.

- Vocês tem o que comer hoje, quando chegar em casa?

- Não... - disse com o olhar mais brilhoso de cachorro pidão que já havia recebido - Mas ainda vou distribuir esses papéis...

- Espera.

Tirei uma nota de R$2,00 da bolsa e entreguei a ela.

- Só não te dou mais porque não tenho, tá?

- Obrigada, moça!! Que Deus lhe abençoe, lhe dê muita saúde, lhe dê em dobro! Deus lhe recompense!

Eu levantei do banco me sentindo a personificação do altruísmo. Meu coração transbordava de uma estranha alegria. Havia feito minha boa ação do dia e ninguém precisaria saber. Até porque, sempre acho que quando alguém conta o sentido da boa ação vai por água abaixo. De altruísmo passa a ser demagogia.

Quando levantei, um senhor sentou em meu lugar. Dei o sinal e fiquei esperando a parada em pé na porta, ainda perto da mulher. Alguns segundos antes de descer, escuto a voz da nossa personagem:

- Esses ônibus só vem lotados, né?

[...]

E por falar em estratégias publicitárias...rs
Bom, se foi tática - mesmo que inconciente - valeu pela sapiência. Afinal de contas, o "eu poderia estar roubando, poderia estar matando, mas estou aqui pedindo qualquer quantia em dinheiro..." já não cola mais, né, gente?

10 de nov de 2009

ESTRATÉGIAS PUBLICITÁRIAS


Outro dia me flagrei em frente à um marreteiro da praça da república, admirando uma baby-look falsificada de uma determinada marca. O preço não me encheu os olhos tanto quanto ela: o dobro de qualquer camisa daquele estilo. Tinha uma malha vagabunda gritando "vou besbotar em no máximo três lavagens!", mas os pobres ouvidos consumistas foram  adquirindo um estranho hábito de não tomar banho mais ou menos desde a  rimeira revolução industrial, sabe? Aí eles às vezes não escutam bem. Por sorte, os meus haviam sido limpos um dia antes e escapei dessa por pouco. Quem já estudou as estratégias publicitárias ou mesmo parou para tentar entender o que acontece nos meios de comunicação, conhece bem todo tipo de manipulação das empresas em cima de seu alvo: nós, as marionetes!

Mas será que somos tão fáceis assim de persuadir? Adorno e Horkheimer certamente diriam que sim. Paulo Freire tentaria provar que não, contrapondo a teoria da agulha hipodérmica ("compre batom", e o consumidor levanta do sofá feito um zumbi e vai atrás do produto) à da comunicação dialógica (via de mão dupla, interatividade). 

Doutrinados ou não pelos meios de comunicação de massa, é inegável que sofremos influências da propaganda. Uma logomarca chamativa, um slogan inteligente, algumas flores em cima da informação e lá vamos nós atrás do glamour que acreditamos comprar junto com a grife. E a sacada do R$0,99? Nunca tinha visto nada mais idiota e eficaz em toda minha vida! Como um centavo a menos pode nos dar a impressão de mais barato?

Por que algumas marcas de boa qualidade não conseguem barrar a concorrência das mais famosas? A diferença está inacreditavelmente no pequeno "tick" preto do seu tênis ou no puma saltando em sua camisa. É a dura realidade: você trabalha seis, oito horas por dia, espera ansiosamente pelo no final do mês quando pagará com dificuldade, mas muito prazer, - a primeira parcela daquele vestido fantástico, a mais nova tendência do ano. E se acha o máximo por aderir à massificação, entrar na "moda" e poder ser alguém melhor neste mundo de "você é o que tem".

Não é discurso de pobre. Não digo isso por não ter um gatinho sem boca na minha roupa. Nem sequer gosto dele. Mas aprecio a criatividade de algumas logomarcas, slogans. De verdade. Só não me faça concordar com toda essa exploração mercadológica! Aí já é pedir demais.

Qual a solução? Como simples mortal, que estuda, trabalha e também é por vezes levada pela maré publicitária, respondo: Se nem a guerra fria e os revolucionários socialistas não conseguiram combater o capitalismo, então nos resta apenas ter um pouco mais de consciência e seguir em frente. Ou melhor, dobre à sua direita e encontrar o revendedor mais próximo de sua cidade. Ou ligue para 3255-7000/8000/9000... quantos mil você achar que deve. A quantia fica por sua conta. Digo, na minha conta!

9 de nov de 2009

A pessoa errada




Pensando bem, em tudo o que a gente vê, e vivencia, e ouve e pensa, não existe uma pessoa certa pra gente. Existe uma pessoa, que se você for parar pra pensar, é na verdade, a pessoa errada. Porque a pessoa certa faz tudo certinho: chega na hora certa, fala as coisas certas, faz as coisas certas.Mas nem sempre precisamos das coisas certas. Aí é a hora de procurar a pessoa errada. A pessoa errada te faz perder a cabeça, fazer loucuras, perder a hora, morrer de amor. A pessoa errada vai ficar um dia sem te procurar, que é para na hora que vocês se encontrarem a entrega seja muito mais verdadeira.A pessoa errada, é na verdade, aquilo que a gente chama de pessoa certa. Essa pessoa vai te fazer chorar, mas uma hora depois vai estar enxugando suas lagrimas, essa pessoa vai tirar seu sono, mas vai te dar em troca uma inesquecível noite de amor. Essa pessoa pode não estar 100% do tempo ao seu lado, mas vai estar toda a vida esperando você.A pessoa errada tem que aparecer para todo mundo, porque a vida não é certa, nada aqui é certo. O certo mesmo é que temos que viver cada momento, cada segundo amando, sorrindo, chorando, pensando, agindo, querendo e conseguindo. Só assim, é possível chegar aquele momento do dia em que a gente diz: "Graças a Deus, deu tudo certo!", quando na verdade, tudo o que Ele quer, é que a gente encontre a pessoa errada, Para que as coisas comecem a realmente funcionar direito prá gente.
Nossa missão: Compreender o universo de cada ser humano, respeitar as diferenças, brindar as descobertas, buscar a evolução. 


(Luiz Fernando Veríssimo)


4 de nov de 2009

Viva Mestre Verequete!




O Pará está de luto. Faleceu ontem, (3/11/2009), com grave insuficiência respiratória, o nosso querido mestre Verequete, aos 93 anos de idade.

Autor de 10 discos e 4 CDs, Augusto Gomes Rodrigues, era um dos maiores ícones da cultura - e principalmente do carimbó - paraense.

Ainda neste ano, dia 26 de agosto (considerado, em homenagem ao mestre, dia municipal do carimbó) comemoramos o último aniversário do artista, na praça Waldemar Henrique. Ao som de diversos ritmos paraenses, Christophe, Tami, nosso professor da faculdade e eu nos divertimos imensuravelmente.  Comemos, dançamos, cantamos e aplaudimos o rei dos tambores na hora do parabéns. Teve direito a bolo e tudo.

A imagem do velhinho moreno, com o chepeuzinho branco (marca registrada dele) numa cadeira de rodas em cima do palco - tão frágil, tão querido - não sai da minha cabeça um só instante, me arrancando uma lágrima aqui, outra ali, ao longo do dia.

Talentoso, ele tirava suas próprias músicas de cabeça (até porque, não sabia escrever). E olha que eram muitas! Brincalhão, namorador, um verdadeiro apaixonado por carimbó. Assim era Verequete.

Não, para nós paraenses ele não sei foi. Como todas aquelas pessoas muito importantes em nossos corações. Ele ainda vive e viverá para sempre, levando aos quatro cantos do mundo a nossa cultura, o nosso canto.

VIVA MESTRE VEREQUETE!


3 de nov de 2009

O último suspiro



Sabe quando você fica nostálgica? Hoje fiquei assim, duas vezes. Uma pela manhã, na esteira da academia e outra agora... Depois do almoço. Não, não tomei açaí. Talvez tenha tomado outra coisa: consciência. De vez em quando caio numa espécie de transe e um filme muito louco passa bem em frente aos meus olhos. É a minha vida. Lembro de tudo que fiz; do que não fiz; do que consegui; do que deixei para trás por medo ou por insegurança. Penso em tudo o quanto já vivi, os lugares onde estive. Em alguns pretendo voltar, em outros... apenas foi bom tê-los conhecido.



De repente me enxerguei votando pela primeira vez. Estava nervosa, com medo de errar alguma coisa. Me sentia importante, ao mesmo tempo idiota. Pensava se era possível mudar o mundo. Hoje eu já tenho a resposta e ela não me agrada. Me teletransportei para o condomínio fechado no qual quis morar durante toda minha infân cia e finalmente consegui, vivendo lá por seis anos. Senti exatamente a frustração de não ter sido bem o que eu imaginava. Talvez por ter crescido... por não ter feito muitas amizades (apesar de uma ter durado até hoje). Me vi tomando banho de piscina com mamãe, meus tios, meus primos, amigas e até minha avó. Em relação a vários fatores, posso dizer que fui feliz ali.Mas sabe quando gasta? Quando é hora de seguir em frente?



Numa questão de instantes, me enxerguei de cabelo longo, liso, negro, naquela mesma esteira... e logo em seguida me vi ruiva, a raiz crespa crescida, o rosto aredondado, gordinha. Tive muita vontade de emagrecer e consegui. Como consegui, graças a Deus, quase tudo que quis nessa vida.  Frases desconexas, imagens desconexas. As vozes das pessoas que amei, as aparências, os trejeitos, até os cheiros e o sentimento que tive por elas. Tudo voltou numa fração de segundos e diminui a frequência da esteira. Um cansaço descomunal me invadiu. Precisei respirar. Foi como uma morte... não-física... não-espiritual. Talvez tenha sido o último suspiro da menina que um dia residiu em mim.

Selo de reconhecimento - Blogs premiados


OBRIGADA, GABI!

[[Prémio criado pelos blogs Osho-br e Koyanisqatsi]]

Esta postagem vai, em primeiro lugar, em homenagem à minha querida amiga Gabi, por me presentear com o lindo selo de reconhecimento (ao lado direito deste blog). Obrigada, Gabi! O Escarlate e eu adoramos a surpresa!
Agora devo repassá-lo a outros bloggeiros merecedores do prêmio:

http://gabi-todososdias.blogspot.com/

http://gabi-bipolaridades.blogspot.com/

http://ideiasassoltas.blogspot.com/

http://myroseblack.blogspot.com/

http://maquinadeletras.blogspot.com

Quero agradecê-los por me proporcionar tão bons momentos de leitura e dizer que os blogs não estão em ordem de importantância. Ok?

Beijinhos escarlates a todos, com muito carinho!!

29 de out de 2009

Estrangeirismos globalizantes



A influência estrangeira (principalmente a norte-americana) no mundo é visivelmente forte. Isso é espelhado de diversas formas: moda, mídia, culinária, economia e - como não poderia faltar - linguagem. Sabe-se que a língua é viva e se renova constantemente, mas isso é bom ou prejudicial aos países receptores dessa carga de cultura alheia?  

Os meios de comunicação são verdadeiras enzimas catalisadoras no processo de metabolismo lingüístico. “Kits escolares: superfaturamento passa de R$ 7 mi” (Diário do Pará – 04/10/09); “Honduras ameaça retirar status diplomático da embaixada do Brasil” (BBC Brasil – 27/09/09); “Com dose de glamour, bares apostam no sucesso dos coquetéis” (Folha Online – 14/08/09). Até mesmo termos utilizados por jornalistas são predominantemente americanizados. Um leigo dentro de uma redação ficaria perdido (a não ser que fosse americano). “Lead, background, off, fade, feed back, follow up, spot, drops, iceberg, deadline, etc”.   

Existem vários tipos de estrangeirismo Dentre eles, os principais são:  

Galicismo ou francesismo - termos franceses na língua portuguesa: “Abajur, maionese, soutien, marrom, menu, escargot, tricô, marionete, caviar, bijuteria, vitrine, valise, omelete, batom, atelier, diva, creme, camelô, magazine, pivô, guichê, suíte, toalete, buffet, buquê, chofer, bidê, greve, garçom, madame, lingerie, revanche, chalé, dossiê, chique, purê, balé...”.  

Anglicismo - expressões inglesas introduzidas na língua portuguesa: “browser, cowboy, drag queen, home theather, link, mouse, play, piercing, site, ranking, shooping, hot-dog, hit, performance, remix, pub, scrap, delete, e-mail, online, offline, post...”.

Alguém já se perguntou quais os verdadeiros motivos dessa inclusão estrangeira num idioma? Do ponto de vista econômico, a lógica da globalização é exatamente essa: Povos + união = lucro. Professor capitalismo gosta e dá nota 10. Mas e quanto à nossa cultura? Será que a gente não sai perdendo nessa conta? Maquiavel diria que sim. Para ele, a prática não passa de uma das melhores estratégias melhores de destruição da identidade nacional de um povo.

O processo globalizante busca padronizar todas as culturas em apenas uma. Como a comunicação é a chave para a compreensão entre os povos, a busca constante por unidade lingüística torna-se cada vez maior. Se utilizados corretamente, os estrangeirismos agregam valores ao texto. Entretanto, utilizá-los indiscriminadamente pode prejudicar o entendimento da mensagem enviada e colaborrar para a diluição da união cultural de uma nação.

9 de out de 2009


Círio outra vez
Pe. Fábio de Melo


Quando a vida faz nascer o mês de outubro
Eu descubro uma graça bem maior
Que me faz voltar no tempo e ser menino
E ao som do sino ver a vida amanhecer


Ver o povo em procissão tomando as ruas
Anunciando que é Círio outra vez
Que a Rainha da Amazônia vem chegando
Vem navegando pelas ruas de Bélem


Corda que avança o corpo cansa
Só pra alma descansar
É o meu olhar chorando ao ver o teu olhar em mim
Tão pequenina na Berlinda segues a recolher
Flores e amores que o teu povo quer te dar


Ó Virgem Santa, teu povo canta
Senhora de Nazaré!
Tu és Rainha e tens no manto as cores do açaí
Soberana e tão humana tão mulher
Tão mãe de Deus
Nossa raça, nosso sangue
Descendência que acolheu
O mistério encarnado continuas revelando

E por isso hoje é Círio outra vez.







À Nossa Senhora de Nazaré 
À minha vozinha querida



Já sinto o cheiro das flores do manto. A cidade se prepara com os mais belos enfeites e o coração repleto de amor para recebê-la. É outubro, o mês mais lindo do ano, quando louvamos a Deus através da graça de Nossa Senhora de Nazaré.
O Círio é a maior manifestação religiosa da América Latina, quando saudamos nossa mãezinha, virgem santa. Uma forte lembrança acaba de me cruzar os pensamentos, me fazendo chorar: eu na trasladação do ano passado, acompanhando a santinha e chorando ao ouvir as músicas do Padre Fábio de Melo, chorando ao ver a santa mais de perto, chorando ao lembrar do meu tio Adélio que havia falecido há pouco tempo, ao pensar que no ano seguinte (este) eu poderia não ter mais por perto toda minha família unida, com saúde.
Uma dor muito forte me invade enquanto escrevo. A lembrança de minha vozinha ainda está muito viva, penso nela constantemente. Não sei se agüentarei cobrir o evento sem chorar. Aliás, eu sei. Eu não vou. Mesmo  detestando chorar em público (ainda mais no trabalho), sei que vou me debulhar em lágrimas lembrando dela.
Vozinha era devota de Nossa Senhora de Nazaré, Nossa Senhora das Graças, na verdade todos os santos lhe apeteciam. Era bastante religiosa, tinha uma fé inabalável e conseguiu transmiti-la a mim – já quase no fim de sua vida. Ainda bem que ela pôde acompanhar minha “transformação” – de mulher incrédula, agnóstica, para mulher católica apostólica romana fervorosa.
Este ano meu Círio não será completo, mas será feliz, apesar de tudo, pois sei que ela não gostava de me ver triste. Vou louvar ao Pai e à Mãe com toda minha fé e alegria. Era assim que ela gostaria que fosse, portanto é assim que será.
Vozinha, dedico esse post primeiramente à Nossa Mãe de Nazaré e em segundo lugar à Senhora, que tanto amo e que me faz tanta falta. Jamais esquecerei de onde vim e tudo que aprendi com a senhora. Como a senhora dizia, sempre que eu me despedia na hora de sair de casa, “vá em paz e que Nossa Senhora lhe cubra com Seu divino manto”.


5 de out de 2009

Como escrevo?!


Em plena quarta-feira, à noite, após um dia tumultuado, cheio de obrigações, compromissos, trânsito caótico, calor infernal e mais alguns problemas adicionais, meu professor de Redação Jornalística me aparece com esse trabalho valendo ponto: escrever sobre como escrevo. É mole? Se eu fosse o Chaves e ele o professor Girafales, entregaria uma folha de papel com a frase “escrevo com a mão”. Mas como ele é bom professor e eu boa aluna (isso não é tática para garantir minha nota), vou me dispor a tentar.
         Escrever sobre escrever parece fácil. Mas sendo trabalho de classe, passa a ser obrigatório e ao se tornar obrigatório, começa a ficar difícil. É sempre assim. Comigo, pelo menos. Não costumo escrever sob pressão e isso é um problema para quem deseja tanto seguir a carreira de jornalismo. Por outro lado, será que um jornalista realmente escreve sob pressão ou ele ama tanto o que faz que o texto flui naturalmente? São tantas perguntas! Talvez eu nem saiba responder a desde trabalho: “como você escreve?”.
         Não sei se escrevo bem ou mal ou em que estilo jornalístico me enquadro. Bom, gosto de escrever crônicas. Se são boas ou não, aí já precisaria da opinião de um mestre, um crítico ou mesmo de um bom leitor. Leio bastante. Isso eu sei fazer muito bem. Não devoro livros como muitos fazem - ou dizem fazer - mas leio desde placas espalhadas pela rua até bula de remédio. Leio rápido, presto atenção nas entrelinhas e sintetizo bem as informações (ponto pra mim!). Ler vai muito além de decodificar signos, símbolos. Ler é interpretar a vida. E quem interpreta bem a vida, tem muito mais chances de aprender a escrever bem.
         Afinal, que diabos é escrever bem? Um advogado escreve laudas e laudas repletas de linguagem pesada, sem tempero algum, nada atraentes ao ser humano comum. Um economista analisa índices econômicos divulgados regularmente. Isso é escrever bem? No primeiro e no segundo caso, gramática e ortografia não são prioridade. Porém, as informações interessam à sociedade e interferem diretamente em nossas vidas. Portanto, digo que sim, é escrever bem. Afinal, todos os bons escritores, poetas, cronistas, seguem à risca as regras da língua? Um dos meus maiores ídolos, Luís Fernando Veríssimo, considera-se “gigolô das palavras”. Preciso ainda responder?
         Creio que para julgar se alguém escreve bem, é preciso antes saber a que público-avo o autor se destina e quais as intenções de publicação. Um exemplo: Paulo Coelho é considerado pela crítica como um escritor rasteiro, repetitivo, que usou a imagem psicodélica da alquimia e a história de vida para escrever sobre magia, religião, loucura e conseguiu conquistar fãs no mundo inteiro, das mais variadas culturas, faixas etárias, credos e classes sociais. Na minha opinião, isso é escrever bem. Independente de qualquer critério, ele alcançou seu público-alvo. Mais do que isso, ele formou um próprio.
         Escrever bem é tocar. Sim, tocar! Como uma música. Talvez por isso o nome dado à arte de saber tirar som de um instrumento musical seja tocar e não “musicar“. Quem verdadeiramente toca, alcança a alma do ouvinte. Com a escrita é assim também. Quem verdadeiramente escreve, alcança a alma do leitor a quem se destina. Para mim, Clarice Lispector é a melhor escritora do mundo, pois me toca profundamente com seus textos. Já cheguei ao cúmulo de lê-la como se estivesse lendo algo que eu mesma penso ou já pensei. É mágico.
         Se escrever bem é alcançar o público alvo e eu ainda não tenho um; se é publicar informações de interesse social e eu escrevo para mim mesma; se não sou nenhuma “expert” em morfologia, gramática, sintaxe e etc; se nem diploma universitário ganhei ainda; o que dizer de mim? Como escrevo? Tomando como base esta crônica, alguém se habilita?

16 de set de 2009

CLARICE LISPECTOR



Já escondi um AMOR com medo de perdê-lo, já perdi um AMOR por escondê-lo.
Já segurei nas mãos de alguém por medo, já tive tanto medo, ao ponto de nem sentir minhas mãos.
Já expulsei pessoas que amava de minha vida, já me arrependi por isso.
Já passei noites chorando até pegar no sono, já fui dormir tão feliz, ao ponto de nem conseguir fechar os olhos.
Já acreditei em amores perfeitos, já descobri que eles não existem.
Já amei pessoas que me decepcionaram, já decepcionei pessoas que me amaram.
Já passei horas na frente do espelho tentando descobrir quem sou, já tive tanta certeza de mim, ao ponto de querer sumir.
Já menti e me arrependi depois, já falei a verdade e também me arrependi.
Já fingi não dar importância às pessoas que amava, para mais tarde chorar quieta em meu canto.
Já sorri chorando lágrimas de tristeza, já chorei de tanto rir.
Já acreditei em pessoas que não valiam a pena, já deixei de acreditar nas que realmente valiam.
Já tive crises de riso quando não podia.
Já quebrei pratos, copos e vasos, de raiva.
Já senti muita falta de alguém, mas nunca lhe disse.
Já gritei quando deveria calar, já calei quando deveria gritar.
Muitas vezes deixei de falar o que penso para agradar uns, outras vezes falei o que não pensava para magoar outros.
Já fingi ser o que não sou para agradar uns, já fingi ser o que não sou para desagradar outros.
Já contei piadas e mais piadas sem graça, apenas para ver um amigo feliz.
Já inventei histórias com final feliz para dar esperança a quem precisava.
Já sonhei demais, ao ponto de confundir com a realidade... Já tive medo do escuro, hoje no escuro "me acho, me agacho, fico ali".
Já cai inúmeras vezes achando que não iria me reerguer, já me reergui inúmeras vezes achando que não cairia mais.
Já liguei para quem não queria apenas para não ligar para quem realmente queria.
Já corri atrás de um carro, por ele levar embora, quem eu amava.
Já chamei pela mamãe no meio da noite fugindo de um pesadelo. Mas ela não apareceu e foi um pesadelo maior ainda.
Já chamei pessoas próximas de "amigo" e descobri que não eram... Algumas pessoas nunca precisei chamar de nada e sempre foram e serão especiais para mim.
Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre.
Não me mostre o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração!
Não me façam ser o que não sou, não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente!
Não sei amar pela metade, não sei viver de mentiras, não sei voar com os pés no chão.
Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra SEMPRE!
Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes.
Tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco q eu vou dizer:
- E daí? EU ADORO VOAR!

9 de set de 2009

A mesmice cansa...


Fico muito triste quando percebo que algumas pessoas não mudam o disco. Ta certo que alguns álbuns são bons, algumas músicas eternos sucessos, mas nada disso justifica a falta de criatividade para se reinventar, se reciclar. Entra ano e sai ano e o pessoal da casa ao lado continua ouvindo brega, o vizinho do outro lado da rua ainda põe baladas de Adão e Eva no paraíso (é, porque ainda teve a época que eles “se mudaram” pra terra e passaram a curtir um heavy metal).
Alguns amigos continuam indo todo final de semana para o mesmo barzinho, escutar as mesmas músicas e ver aquelas figuras manjadas que ora ou outra aparecem acompanhadas e tempos depois vemos novamente sozinhas – com a plaquinha pendurada no pescoço: “procura-se”. Outros dizem não ter opção além de cinema e televisão e, por já terem decretado a sentença, para eles só resta cinema e televisão.
O namorado da amiga reclama de grana desde que o conheci. Nunca tem dinheiro pra sair, mas vive postando fotos dele no orkut, nos lugares mais variados e sempre com uma latinha de cerveja na mão. Ela reclama, eles brigam, ela chora, eles terminam, ela chora, ele corre atrás e eles voltam. Duas semanas depois ela volta a reclamar, eles brigam, ela chora, eles terminam, ela chora... e assim sucessivamente.
Os familiares continua se reunindo só em datas comemorativas, quando todos se sentem na obrigação de ir: “Porque a Maria Antônia foi no aniversário de 15 anos do Juquinha e fica chato não ir no dela” ou porque “é dia de passar com a família. Lá eles ainda falam mal uns dos outros pelas costas, outros se ofendem mas na hora de cumprimentar o que prevalece é o sorriso educado e amarelo. “Não vale a pena criar inimizade à toa”.
A classe trabalhadora permanece fazendo greve perto da época de data-base, as empresas dizendo que não têm condições de dar reajuste real, os governantes apostando que o ano posterior será melhor, os economistas calculando números de contas exorbitantes que o povo não sabe nunca por onde passa, de quem veio e para quem vai.
Os anos passam e as pessoas ainda reclamam do Brasil, mas nada fazem para mudar o cenário degradante de corrupção e negligência com a qualidade de vida oferecia à maioria. A vida passa e todos só assistem, como meros espectadores à espera de um final feliz que nunca chega. Porque os próprios protagonistas da novela ainda não se deram conta de que também são roteiristas e diretores.
Parece que gostamos de viver assim, reclamando das mesmas coisas, buscando as mesmas coisas, vendo o mundo com os mesmos olhos e repelindo o que é diferente por medo do desconhecido. Se é para arriscar e ter algo pior, é preferível ficar na mesmice. Ela não incomoda, apenas cansa. Cansa na segunda-feira de manhã, cansa ver o contra-cheque no final do mês, cansa andar apavorado pelas ruas e saber que se o Estado não oferece segurança, mesmo assim temos que continuar cansando – porque ele também não vai pagar as nossas contas.
Espero que um dia os amigos conheçam outras formas de diversão que não sejam o mesmo bar, o namorado da amiga tome vergonha na cara, os familiares se reúnam não somente em datas comemorativas e parem de fofoca, que a classe trabalhadora leia Karl Max, se dê conta da força que tem em mãos e articule estratégias mais inteligentes para obter mais benefícios, que o brasileiro não espere mais o carnaval e a Copa do Mundo para agir e que eu deixe de só escrever e também faça alguma coisa para tentar mudar essa pouca vergonha.

14 de mai de 2009

A razão


Já fez um mês e 4 dias que ela se foi, minha vozinha. E ainda não consigo acreditar. Nunca aceitei o fato de que esse dia - inevitavelmente - chegaria. E mesmo nos momentos de maior lucidez - quando me permitia pensar na hipótese - sempre achava que ainda não estava perto. "Quando eu for para os Estados Unidos...", ela dizia. E eu sempre retrucava: "A senhora não é nem doida!"
Gostava de compará-la à Dercy Gonçalvez, de vê-la tão ativa cozinhando, conversando com a família, indo a festas, novenas... Tenho foto dela no meu aniversário de 23 anos, que foi num videokê (local fechado, com fumaça de cigarro entranhando em tudo quanto é póro e música altíssima)! Por aí dá pra imaginar como ela era, não é mesmo?
86 anos de muita, mas muita palhaçada. Vovó era gaiata que nem eu. Aliás, sou gaiata que nem ela!
1º de abril ela pegou todo mundo lá em casa, menos a mim. Eu a enganei! Hahahaha! Preciso guardar todas essas boas lembranças para momentos como esse, quando a saudade bate e o desespero de querer vê-la, abraçá-la de novo, toma conta de mim.
Dona Olívia. O elo da família. Nunca disse isso a ela (sempre vai ter tido algo quea gente não disse, não fez...), mas ela foi a razão de tudo ter acontecido. Se não fosse por ela, eu não estaria aqui, escrevendo este post. Não existiria mamãe, minhas tias, meus primos. Se bem pensarmos, ela não se foi por completo. Deixou um pedaço dela conosco. Costumes, frases, histórias... genes. Cada um de nós é um pouquinho do que ela foi. E ainda é. Em nossos corações, no céu, nos "Estados Unidos"... :)
E foi assim que descobri a razão de Deus ter inventado a família.

11 de mai de 2009

Cor-respondência

Remeta-me
os dedos
em vez de cartas de amor
que nunca escreves
que nunca recebo.
Passeiam em mim estas tardes
que parecem repetir
o amor bem feito
que você tinha mania de fazer comigo.
Não sei amigo
se era seu jeito
ou de propósito
mas era bom
sempre bom
e assanhava as tardes
Refaça o verso
que mantinha sempre tesa
a minha rima
firme
confirme
o ardor dessas jorradas
de versos que nos bolinaram os dois
a dois
Pense em mim
e me visite no correio
de pombos onde a gente se confunde
Repito:
Se meta na minha vida
outra vez meta
Remeta.

(Elisa Lucinda)

"O que obviamente não presta sempre me interessou muito. Gosto de um modo carinhoso do inacabado, do malfeito, daquilo que desajeitadamente tenta um pequeno vôo e cai sem graça no chão."

(Clarice Lispector)


7 de mai de 2009

Poesia Matemática - Millôr Fernandes

Às folhas tantas do livro matemático um quociente apaixonou-se um dia, doidamente, por uma incógnita. Olhou-a com seu olhar inumerável e viu-a, do ápice à base. Uma figura ímpar; Olhos rombóides, boca trapezóide, corpo otogonal, seios esferóides. Fez da sua uma vida paralela a dela, até que se encontraram no infinito. "Quem és tu?" indagou ele, com ânsia radical. "Sou a soma dos quadrados dos catetos. Mas pode me chamar de Hipotenusa." E de falarem descobriram que eram - o que, em aritmética, corresponde a almas irmãs - primos-entre-si. E assim se amaram ao quadrado da velocidade da luz Numa sexta potenciação, traçando, ao sabor do momento e da paixão, retas, curvas, círculos e linhas sinoidais. Escandalizaram os ortodoxos das fórmulas euclideanas e os exegetas do universo finito. Romperam convenções newtonianas e pitagóricas. E, enfim, resolveram se casar, constituir um lar. Mais que um lar, uma perpendicular. Convidaram para padrinhos o Poliedro e a Bissetriz. E fizeram planos, equações e diagramas para o futuro, sonhando com uma felicidade integral e diferencial. E se casaram e tiveram uma secante e três cones muito engraçadinhos. E foram felizes até aquele dia em que tudo, afinal, vira monotonia. Foi então que surgiu o Máximo Divisor Comum, freqüentador de círculos concêntricos. Viciosos. Ofereceu-lhe, a ela, uma grandeza absoluta e reduziu-a a um denominador comum. Ele, quociente, percebeu que com ela não formava mais um todo, uma unidade. Era o triângulo, tanto chamado amoroso. Desse problema ela era a fração mais ordinária. Mas foi então que o Einstein descobriu a Relatividade e tudo que era expúrio passou a ser moralidade. Como, aliás, em qualquer sociedade.

À minha vozinha linda

Gostaria de dedicar este blog à minha vozinha Olívia, que tanta falta tem me feito... De onde ela estiver, espero que saiba o quanto a amo e espero que esteja feliz. Lembro todos os dias de suas histórias, piadas, truques, orações, comentários, canções, alegria, costumes, lucidez. Vozinha, te amo pra sempre! Sua benção!