28 de nov de 2012

"Palavras, apenas..."


Algumas pessoas não sabem, mas as palavras atraem. Uma nova amizade, um relacionamento, um dia incrível ou até mesmo uma topada

Redondas, meio deitadas, pequenas, corridas. Digitalizadas ou não, elas, as letras, carregam consigo um poder incrível de sedução. Algumas palavras, de tão elegantes, parecem calçar salto alto.

Só entende quem já recebeu uma carta de alguém muito querido pelo correio. Ou sorriu ao ler aquela sms inesperada bem no meio de um dia corrido.

Nada mais brochante que conhecer pessoalmente alguém cheio de atributos interessantes e, na primeira teclada, se deparar com erros primários, pontuação fora de lugar ou total ausência dela. #ACABOUAMORNAHORA

 

Elas podem unir quem está distante... 





 



E separar quem está bem perto. 




E às vezes não adianta gritar, o outro simplesmente não vai entender. A não ser que você use as palavrinhas mágicas.


 
 

Podem te transportar para outros universos. 



 


Ou te cravar os pés em uma nova realidade.





Não importa a língua, nem a quantidade de letras do alfabeto. As palavras são, desde os primórdios, a invenção humana mais perfeita, por nos permitir entender uns aos outros além do que o corpo possa traduzir.

Se viram música, livro, ciência ou poesia também pouco importa. Sei que dentro de mim, elas sempre acabam virando crônicas...

 

27 de nov de 2012

Deixar-se levar...


Cadê menina solta, de cabelo solto, de idéias a toas e boas?
Cadê morena branca, de bandeira branca, sem brigar consigo?
Cadê a moça solta, de sorriso solto, de pestana viva e sincera?
Cadê os olhos negros de perder o medo da paixão platônica?

Deixa a maré te levar morena
Deixa a poeira baixar

Você vai rir de você morena, quando esta onda passar
Deixa a maré te lavar morena
Deixa o tempo chegar
Deixa eu servir desse dia em cada momento,no seu lugar
Ê, morena branca!

Troca teus planos, larga teus panos e vem terminar
Num outro lugar teus pés pisar
Morena branca
Deixa os enganos de todos os anos e saia a pescar
Teus sonhos e tudo que der pra fisgar

Cadê menina solta, de cabelo solto, de idéias a toas e boas?
Cadê morena branca, de bandeira branca, sem brigar consigo?
Cadê a moça solta, de sorriso solto, de pestana viva e sincera?
Cadê os olhos negros de perder o medo da paixão platônica?

Deixa a maré te levar morena
Deixa a poeira baixar

Você vai rir de você morena, quando esta onda passar
Deixa a maré te lavar morena
Deixa o tempo chegar
Deixa eu servir desse dia em cada momento,no seu lugar

Ê, morena branca!
Troca teus planos, larga teus panos e vem terminar
Num outro lugar teus pés pisar

Morena branca
Deixa os enganos de todos os anos e saia a pescar
Teus sonhos e tudo que der pra fisgar...

["Morena Branca" - Gisele Di Santi]


19 de nov de 2012


Arcana cordis mei



*os segredos do meu coração,
em latim.

14 de nov de 2012

Os homens e as pontes



Nunca tive tanta certeza de que as pessoas entram em nossas vidas por um motivo. Às vezes aparentemente bobo, como te fazer gostar de comida japonesa ou ensinar a mascar chiclete no avião para diminuir o incômodo da pressão causada pela altura. Mas, quase sempre, esse alguém nos traz missões importantes, que nos levam a novos caminhos e - consequentemente - a outras missões. 

Me desfazendo de qualquer clichê, comparo a vida a um jogo de videogame. Você passa por várias fases até chegar no chefão. A diferença é que no jogo só existe um chefão. Já na vida... É preciso saber identificá-los. 

Mas, voltando aos 'links humanos', ontem soube através de uma amiga que uma pessoa muito querida conseguiu uma proposta de emprego incrível através de alguém que eu apresentei. E detalhe: essas duas pessoas se odiaram no primeiro momento. Então se tornaram amigas e hoje uma delas vai embora para outro estado, deixando essa sementinha, a possibilidade de crescimento profissional.

Lembrei que uni duas pessoas que hoje estão casadas há uns 5 anos, com filho e tudo. Uma malhava na mesma academia que eu e da outra fui vizinha e amiga durante a adolescência. Hoje não tenho contato com mais ninguém.

E quanto aquelas pessoas que você conhece, de quem se torna grande amiga e, um belo dia, percebe que se tornaram mais próximas de um ex ou de outros amigos nossos do que um dia já foram de você? [Isso quando não namoram / casam]


Tudo isso me remeteu à teoria dos 6 graus de separação. Originado através de uma pesquisa norte americana, a teoria usou cartas para comprovar que precisamos de, no máximo, seis laços de amizade para que duas pessoas quaisquer estejam ligadas. Alguém recebia uma carta identificando a pessoa alvo e deveria enviar outra para outro alguém que tivesse a mínima chance de conhecê-la. Até que a mensagem chegasse à pessoa alvo e esta, por sua vez, enviasse uma última carta aos responsáveis pelo estudo.

A teoria dos 6 graus de separação é de 1967. Aí vocês me perguntam: e agora, na era das redes sociais? Bem... a resposta vocês conferem aqui. Mas adianto logo, pra quem tem a esperança de ter um rolo com a Madonna ou com o Jonny Depp, que um estudo da Universidade de Milão em parceria com o Facebook revelou que a distância caiu de 6 para 4,74 graus. :D



A vida é realmente IMPRESSIONANTE. E quanto a vocês? Quem tem uma história como essa pra contar? Compartilhem! :)

11 de nov de 2012

E se nada der certo, a gente escreve uma crônica.




Num dos nossos maravilhosos passeios, minha amiga Claudiana e eu conversávamos sobre a vida. Namoros frustrados, sentimentos, solteirice. Bate-papo gostoso, enquanto aguardávamos o começo do documentário "Música para os olhos" sobre Cartola [super recomendo!]. Até que surge uma proposta indecorosa [minha - claro! Uma sandice daquela só poderia ter partido de mim...rs]:

- Vamos para uma boate. A ideia é não sair de lá enquanto as duas não estiverem acompanhadas.

- Beleza! *Não sei se ela gostou mesmo da ideia ou preferiu topar para não contrariar a louca.

 - E se nada der certo, a gente escreve uma crônica.

Bem... eis-me aqui. Precisa perguntar o resultado? 

Brincadeira! É óbvio que ninguém colocou o plano em prática. Eu queria mesmo era compartilhar a conversa insana. E dizer que, nessa brincadeira de solteira feliz, já se passaram 4 meses. 

Quero mesmo é escrever sobre o que tenho vivido. Toda essa experiência de soleirice tem rendido verdadeiras teses de doutorado!


O plano não foi colocado em prática, mas convite para o safari é o que não falta. E o de ontem foi para uma tal de "festa grega". Nunca compreendi tanto Renato Russo como com relação ao trecho "festa estranha com gente esquisita" de Eduardo e Mônica! 

Parecia uma selva, em pleno centro da capital. E os predadores [adolescentes, em sua maioria] farejando, principalmente, beleza e sexo. Tudo isso enquanto fingiam estar mais preocupados em se divertir, dançando feito epiléticos e bebendo como se não houvesse o amanhã. Patético.

Percebi ontem que já não tenho mais idade pra isso. Talvez nunca tenha tido...

Antes não me dava conta do quão vazio o mundo está. Afinal, estava sempre acompanhada. Além do que, a vida até então tinha sido demasiadamente generosa comigo, colocando em meu caminho pessoas especiais e romances consecutivos. Tinha, portanto, uma espécie de ilusão de que era um ímã que atraía agulhas no palheiro...rs

4 meses e mais nenhuma agulha. Já crônicas... 
 

29 de out de 2012

Novas pegadas


E foi naquele início de tarde, de uma segunda-feira com cara de domingo, que ela sentou na frente do computador com um intuito: fazer uma triagem nas redes sociais, enviar um e-mail a uma velha amiga que mora em Portugal e escrever um post como há muito não conseguia.

Naquele dia vazio, com a mente cheia de ideias, ela decidiu buscar a si. Porque ninguém mais, por mais velho e experiente, e por melhor que fosse o conselho, poderia fazê-lo. 

Chega um momento da vida em que buscar a mudança deixa de ser promessa de ano novo e se torna condição para ser feliz. E por mais que lhe dissessem que pessoas não mudam, era aquela a única certeza que ela precisava ter para deixar no solo as próximas pegadas.

Não, não era drama. Nem autopiedade. Ela detestava ambos. Tampouco demagogia. Era genuína vontade de se fazer feliz, pelo que se é, não pelo quê ou por quem se tem. Saber se viver, se respeitar, se amar. E alimentar comportamentos autodestrutivos, já tinha comprovado: não era a saída.

O que lhe havia adiantado um post dizendo que 'solteirice' não era se colocar numa vitrine, que não valia a pena beber pra esquecer e voltar pra casa porre e sozinha, se foi exatamente o que ela fez?! Aguentou o primeiro mês. Aguentou o segundo. No terceiro, caiu em contradição. Justamente quando julgava estar no processo final da cura.

Cura. Mas cura de quê? Do término do casamento? Da frustração de não ter vingado um relacionamento adolescente, sem eira nem beira, que sabia que não duraria? Óbvio que não. De si, era do que deveria se curar. Custou, mas finalmente entendeu que ela sempre fora seu maior desafio. Pra isso precisou perder a medida da razão, caminhar à beira do abismo, refugiar-se em um imenso buraco negro. 

Eram os mesmos comportamentos de sete anos atrás. Só que com um agravante: ela já não tinha mais 20 anos.


[...]


Mas, na tarde chuvosa de segunda com cara de domingo, decidiu fazer diferente. E daquela vez, sem alarde. Primeiro para não precisar ouvir os desincentivadores comentários dos desacreditados. E segundo, porque a pessoa a quem de fato cabia a decisão já estava ali, travando o mais conflituoso diálogo de uma vida.

E uma única certeza: se não dá pra apagar 2012, que os próximos dois meses sejam suficientes para limpar a poeira, fazer uma varredura nos ciclo de amizades, juntar grana e começar 2013 de cara nova e sem dívidas internas.

22 de out de 2012

Desafio


 Por um mundo em que as pessoas saibam se jogar,
com a certeza de que poderão voltar intactas.

15 de out de 2012

Saudade.


A resposta da vida é o tempo. Não adianta tentar frear ou acelerar. Tudo vem quando tem de vir. E geralmente é quando menos se espera. É essa a lei. 

Te tive perto e consegui te perder. Não soubemos nos conduzir. Tortuosos caminhos percorridos e, de repente, já não sabíamos mais quando e em que ponto nos perdemos.

Ficamos pelo meio do caminho.

Hoje sou só lembranças do que ficou, questionamentos que já não cabem e os velhos sonhos, ainda no mesmo lugar.

Sigo à deriva. Na mala, as mais belas recordações e o coração... em desalinho. 

1 de set de 2012

Diagnóstico do amor


“Sabe aquela coisa diferente, que te faz tremer?“

- Mal de Parkinson.

“Sabe aquela coisa diferente, que te deixa com calor?“

- Menopausa.

“Sabe aquela coisa diferente, que te faz esquecer de tudo?!“

- Alzheimer.




23 de ago de 2012

Feliz.


E assim de repente, não mais que de repente, ela sente de novo o sopro da vida.

20 de ago de 2012

A ti.


“Ainda não tens nome, cor e nem sexo. Também não sei como é teu rostinho. Tua chegada não tem data marcada, mas é anunciada em sonho, com a mesma alegria que me faz acordar. Sei que um dia abrirei os olhos, durante a madrugada, pra te cuidar. Que eu serei tua paz e tu a minha. E que só tu me trarás a certeza do pra sempre. Não sei em que tempo virás e nem me apresso. Porque sei que em mim já habitas. Há muitos anos. Já és meu."

12 de ago de 2012

Ao meu pai.



'Pai'

Palavra pequenininha
de grande significado
Lembranças engendradas no tempo
Erros na tentativa de acertar
Vida
Aprendizado
Afinidade
Amor.


Que esse dia se repita para nós muitas outras vezes. Eu te amo. Feliz Dia dos Pais!


31 de jul de 2012

De repente, classe C



Sou ex-pobre. Todos querem me vender geladeira agora. O trem ainda quebra todo dia, o bairro alaga. Mas na TV até trocaram um jornalista para me agrada.

Eu me considerava um rapaz razoavelmente feliz até descobrir que não sou mais pobre e que agora faço parte da classe C. om a informação, percebi aos poucos que eu e minha nova classe somos as celebridades do momento. Todo mundo fala de nós e, claro, quer nos atingir de alguma forma. 

Há empresas, publicações, planos de marketing e institutos de pesquisa exclusivamente dedicados a investigar as minhas preferências: se gosto de azul ou vermelho, batata ou tomate e se meus filmes favoritos são do Van Damme ou do Steven Seagal. (Aliás, filmes dublados, por favor! Afinal, eu, como todos os membros da classe C, aparentemente tenho sérias dificuldades para ler com rapidez essas malditas legendas.) 

A televisão também estudou minha nova classe e, por isso, mudou seus planos: além do aumento dos programas que relatam crimes bizarros (supostamente gosto disso), as telenovelas agora têm empregadas domésticas como protagonistas, cabeleireiras como musas e até mesmo personagens ricos que moram em bairros mais ou menos como o meu. A diferença é que nesses bairros, os da novela, não há ônibus que demoram duas horas para passar nem buracos na rua. 

Um telejornal famoso até trocou seu antigo apresentador, um homem fino e especialista em vinhos, por um âncora, digamos, mais povão, do tipo que fala alto e gosta de samba. Um sujeito mais parecido comigo, talvez. Deve estar lá para chamar a minha atenção com mais facilidade.

As empresas viram a luz em cima da minha cabeça e decidiram que minha classe é seu novo alvo de consumo. Antes, quando eu era pobre, de certo modo não existia para elas. Quer dizer, talvez existisse, mas não tinha nome nem capital razoável.

De modo que agora elas querem me vender carros, geladeiras de inox, engenhocas eletrônicas, planos de saúde e TV por assinatura. Tudo em parcelas a perder de vista e com redução do IPI. E as universidades privadas, então, pipocam por São Paulo. Os cursos custam R$ 200 reais ao mês, e isso se eu não quiser pagar menos, estudando à distância. 

Assim como toda pasta de dente é a mais recomendada entre os dentistas, essas universidades estão sempre entre as mais indicadas pelo Ministério da Educação, como elas mesmas alardeiam. Se é verdade ou não, quem pode saber? 

E se eu não acreditar na educação privada, posso tentar uma universidade pública, evidentemente. Foi o que fiz: passei numa federal, fiz a matrícula e agora estou em greve porque o campus cai aos pedaços. Não tenho nem sala de aula. 

Não que eu não esteja feliz com meu novo status de consumidor, não deve ser isso. (Agora mesmo escrevo em um notebook, minha TV tem cem canais de esporte e minha mãe prepara a comida num fogão novo; se isso não for felicidade, do que se trata, então?) 

O problema é que me esforço, juro, mas o ceticismo ainda é minha perdição: levo 2h30 para chegar ao trabalho porque o trem quebra todos os dias, meu plano de saúde não cobre minha doença no intestino e morro de medo das enchentes do bairro. 

Ou seja, ao mesmo tempo em que todos querem me atingir por meu razoável poder de consumo, passo por perrengues do século passado. Eu e mais de 30 milhões de pessoas -não somos pobres, mas classe C. 

Deixa eu terminar por aqui o texto, porque daqui a pouco vão me chamar de chato ou, pior, de comunista. Logo eu, que só li Marx na versão resumida em quadrinhos. Fazer o quê, se eu gosto é de autoajuda? 

Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo. debates@uol.com.br
 
Folha de São Paulo - Opinião


LEANDRO MACHADO, 23, é estudante de letras na Universidade Federal de São Paulo, mora em Ferraz de Vasconcelos (SP) e escreve no blog Mural, da Folha

27 de jul de 2012

Romance e cinema... no momento certo.

Solteira sim. Sozinha... certamente.

E quem foi que disse que solteirice é se colocar numa vitrine? Já passei dessa fase de buscar desesperadamente um tapa-buraco, sair beijando todas as bocas do mundo e, no final da noite, voltar pra casa porre, sozinha e frustrada porque nenhuma daquelas pessoas era a que você tanto buscava.

É, produção. Estou solteira. E, pela primeira vez na vida, não por escolha própria. :)

Hoje acho que o mais sensato a fazer é olhar pra dentro. A dor muitas vezes funciona como uma descarga elétrica, que te machuca, mas te acorda pra vida. E é como se, de repente, você saísse do automático e todas as sensações lhe fossem novas. Os cheiros, os gostos, as paisagens e até as pessoas que até então eram meras coadjuvantes.

Aprendi com o término do meu primeiro casamento que não adianta sair por aí buscando em terceiros o que você tinha com aquela pessoa. Aliás, é preciso aceitar que NINGUÉM será como ela. Poderá ser menos intenso, mais intenso, melhor ou pior. Igual, nunca mais.

E como os 12 passos do AA, eu vou vivendo um dia de cada vez. Me livrei de 90% das lembranças físicas, cortei contato, excluí das redes sociais e qualquer canal de informação, como a Rádio Cipó (sempre muito eficiente). Afinal, o que os olhos não vêem, os amigos e o facebook nos contam. É preciso evitar.

Uma coisa é fato: a vida sempre faz questão de deixar claro: "só vai acontecer quando você menos esperar". Então, não vou esperar. Não vou esperar que passe o sentimento, que vá embora a dor e muito menos acreditar em possibilidades fantasiosas - que só acontecem em filmes e em romances rodrigueanos.

Eu preciso me reconstruir, limpar minha casa para, um dia, receber o novo. Vou cuidar bem dela e deixá-la bem organizadinha. Até porque, para ocupar o espaço vazio que ficou, só um sentimento tão especial quanto o que antes ali habitava.

"Quando quiser entrar e encontrar o trinco trancado
Saiba que meu coração é um barraco de zinco, todo cuidado"
(Luiza Possi)



29 de mai de 2012

Quando a vida parece um filme.



Sobre a dramaturgia dos dias que ocorrem em nossa vida; capítulos de folhetim que não cessam de inspirar aos novelistas e romancistas de plantão. E sob tais roteiros respiram nossos motivos. 

A câmera dos olhos possui alguns bons recursos: foca, enquadra, escolhe, exclui, desfoca. Pelas janelas dos olhos e de outros sentidos, pois cada sentido possui suas janelas por onde passa o mundo, assistimos e atuamos nesta grande obra aberta que é a vida; este imenso folhetim com direito a cenário e toda a ficha técnica de qualquer grande produção. 

Com a sofisticação da dramaturgia da vida que supera, inúmeras vezes, em impacto e melodrama, muitas ficções, e nos cabe a missão de aprender a estrear nela sempre, como fazem o sol, a lua e outros milenares astros.

(trecho retirado do livro "Parem de falar mal da rotina", de Elisa Lucinda)

28 de abr de 2012


Não sei que é mais ilusório

se a saudade ou a esperança

pois ambas são memórias engendradas no tempo

a primeira no tempo passado

a segunda no tempo futuro –

a memória gira transtemporal

assim...

como num carrossel de ilusões.

(Wanda Monteiro)

19 de abr de 2012

Cuidar.



Venho me perguntando, há alguns dias, qual o real significado da palavra cuidar. Num desses dicionários online encontrei os mais malucos sinônimos: cismar, cogitar, discorrer, matutar, meditar, pensar, ponderar, raciocinar, refletir... e até ruminar!

Quando gaúcho diz "cuida!", ele quer dizer pra você prestar atenção no que está fazendo. Seja na hora de atravessar a rua ou pra que você perceba algo errado que pode estar fazendo. 

Mas nenhum desses significados tem a ver com o que eu penso ser o verdadeiro "cuidar". 

Cuidar vem de cuidado, que - por sua vez - significa ter cautela, prestar atenção. Se eu vou ter uma conversa importante com alguém, preciso ter cautela para usar as palavras certas. Se eu amo alguém que não quero machucar, devo prestar atenção no que faço ou deixo de fazer para que essa pessoa não se machuque. Isso é cuidar.

Todo mundo aprende desde cedo a expressão "tomar cuidado". Depois cresce e aprende a tomar de tudo, da tequila à cachaça. Mas cuidado, que é bom, nada.

Talvez a expressão que melhor defina "cuidar" é "se importar". Querer saber se a pessoa está bem é se importar. Se questionar se a outra pessoa está feliz é se importar. Não olhar apenas para o próprio umbigo, "enxergar" a pessoa que está ao seu lado. Ligar no meio do dia só pra perguntar "você está bem?".  Tudo isso é se importar. Quem se importa, cuida. E cuida quem se importa.

Ao contrário do que muita gente pensa, cuidar não é só dar carinho. É brigar também. Se preocupar se o que a pessoa que você ama está fazendo o certo e se não estiver, dar um puxão de orelha. Até começar uma discussão, se preciso for. Quem briga, cuida também. E as mães estão aí para comprovar esta teoria.

Cuidar é a lição número 1 do amor. Que o diga O Pequeno Príncipe. Ninguém ama sem cuidar, cuida sem se importar e nem se sente amado sem o cuidado de outra pessoa. Ou vira o oposto do amor: a indiferença.

Cheguei à conclusão de que cuidar é um verbo fácil de se compreender. 

Difícil mesmo é de se conjugar...

21 de mar de 2012

Dentro


Aquele dia em que você simplesmente não quer...

Pensar
Ser
Estar
Fazer

Quer apenas sentir
Deixar-se sentir

O que o pensamento descobre
a palavra encobre
o sentimento permite
e o olhar revela.


18 de mar de 2012

Você vai entrar pela porta que eu deixei entreaberta, há uma hora que eu não descolo os olhos da luz de neon do hall que se filtra como um prenúncio da tua chegada. Antes de você chegar você já chega como uma nuvem que vem na frente, antes de você chegar eu ouço tua ansiedade vindo, tua luz, teu som nas ruas, teu coração batendo mais forte porque vai me encontrar… Eu sei que minha presença te fará nervosa, tuas mãos ficam úmidas, sei que você se arrumou melhor para me ver, sabe dos vestidos que eu gosto, botou uma calcinha sexy por via das dúvidas, eu sei que você sabe que eu sei de tudo que você era e que teu único tesouro é o que eu não sei mais… mulher… por isso, teu peito dispara e você vem vindo pela rua sem ar, e você vem e você chega e entra quebrando o realismo da sala, quando você entra muda tudo, a casa fica diferente, as cadeiras se movem, os vasos de rosa voam no ar, as mesas rodam, rodam e eu começo a perder o controle da minha solidão; sozinho eu me seguro, mas você chega e eu danço, pois você sabe de mil truques para me jogar no abismo… você chega e o terrível perigo do Outro se desenha; você é um ponto de interrogação, uma janela aberta para o ar, um copo de veneno, você é o meu medo, o mar fica em ressaca, fico à beira do riso e das lágrimas, perto do céu e perto do crime, um relógio de briga começa a contar os segundos da luta, uma multidão de fantasmas de terno e gravata me assiste com o coração sangrando, perco o controle e entramos os dois num barco em alto-mar, à deriva… 




Trecho do livro "Eu sei que vou te amar", de Arnaldo Jabor. Presente da minha amiga Claudiana, de 2008, entregue em 2012. Quero dizer que valeu a pena esperar todos esses anos...rs

11 de fev de 2012

Delírios científicos na academia



Sempre quis entrar pra história. Perpetuar uma grande ideia que em algum momento foi revolucionária. Ter meu nome na lista dos que contribuíram para a ciência. Ser referência em algum assunto (talvez em grande parte por ego). 


O fato é que criança, adoro pensar nas coisas da vida. Analisar as pessoas (principalmente as menos comuns), prestar atenção nos fenômenos naturais e assistir filmes que me instiguem a adquirir mais conhecimento. E essa fome pelo desconhecido até hoje me captura nos mais diversos momentos do dia: no ônibus, andando pela rua, numa mesa de bar, deitada em minha cama, na frente do computador e... hoje inaugurei um novo espaço de reflexão: academia.

Não muito empolgada, saí de casa pela manhã, para malhar e acabei encontrando uma velha amiga, com quem sempre adorei conversar. Bate-papo pra lá, bate-papo pra cá... começamos no chocolate de Gramado e passamos pra filmes, séries, até que aprofundamos em assuntos tão malucos abstratos que se alguém prestou atenção na gente, teve a certeza de que somos da Tribo de Jah bastante inteligentes. 


Andreia sempre foi a melhor companhia que tive para viajar na maionese (sei que ela vai rir disso). Fomos grandes companheiras na adolescência, até que nossos casamentos caminhos nos separaram.

O fato é que fomos concatenando pensamentos sobre física quântica, sistemaimortalidade, fim do mundo, viagem no tempo, vida em outros planetas, até chegarmos a uma teoria mui maluca que me fez todo o sentido do mundo e desequilibrou o alicerce de minhas certezas: a teoria da "memória genética":

O DNA é uma espécie de arquivo, certo? De inúmeras informações que determinam cor da pele, dos olhos, estrutura óssea, dentre muitas outras características. E nossos filhos são continuações dessas características agregadas do pai, da mãe e do resto da família. Correto? 


Até aí, nenhuma novidade. Mas... e se ele guardasse, além de tudo isso, uma espécie de memória compilada dos nossos antepassados? Como um arquivo zipado que só poderia ser acessado através de alguma técnica específica?

Isso explicaria muita coisa. Como o fato de nos identificarmos mais com algumas pessoas do que com outras. A internet tornou possível demonstrar que é possível se sentir próximo de quem está do outro lado do país ou do mundo e distante de quem mora na casa ao lado. 


Explicaria o porquê de pessoas adivinharem quando um grande amigo está precisando de ajuda. Minha tia sentiu e viu uma luz que correu do quarto pra sala no dia (e provavelmente na hora) em que a melhor amiga dela faleceu. Todos nós somos somos provenientes de um denominador comum. Somos interligados!

Se carregamos memórias de nossos antepassados, significa que se fosse possível montar nossa árvore genealógica até milhões de anos atrás, descobriríamos quais foram os primeiros habitantes da terra. Ou seja, poderíamos afirmar se eram primatas (o que certificaria a teoria do criacionismo) ou Adão e Eva (o que certificaria o evolucionismo enquanto teoria). 

A alegria do "Eureka" dura pouco. A minha durou até chegar em casa e meu marido me dizer: "Amor, isso é Memória Genética, a base da psicologia que atua com regressão!" e todos os meus sonhos científicos escoarem junto com a água do banho. Ao procurar na internet, milhares de artigos sobre o assunto que, há algumas horas, parecia tão... extraordinário... quanta pretensão, não é mesmo? Tsc, tsc, tsc.

Bom, mas teorias à parte, é bom viajar de vez em quando. E já que não tem transatlântico mesmo, me conformo com a boa e velha maionese. :)

6 de fev de 2012

Delírios consumistas no consultório médico

Acho que todo consultório médico deveria ter livros ao invés de TV ligada e revistas de fofoca. Aliás, essas em especial. Elas ativam uma parte muito consumista do nosso cérebro e pode causar delírios. É sério.

Com a consulta desmarcada um milhão de vezes por conta da correria diária, hoje finalmente arrumei um tempo para cuidar da minha saúde, pedir exames de rotina e essas coisas que toda mãe recomenda e a gente raramente ouve.

Sentada na sala de espera, sem meu fone de ouvido que hoje havia esquecido em casa, olhei para o lado e elas me fitavam. Desconfiadas, as revistas de fofoca queriam interagir comigo e eu relutando. Até que o tédio... tá, confesso... até que uma bizarra curiosidade pela vida alheia tomou conta de mim. E eu capturei uma, furtivamente. As outras moças ao meu lado nem desconfiaram. Entre tantos papos de doenças, nem me notaram. E eu mergulhei num universo novo, nunca antes explorado por mim: o mundo do GLAMOUR.

Soube da vida de muitos famosos. Me deparei com boatos, meias-verdades e até verdades que não tão raramente aparecem em forma de depoimentos (é minha forma de acreditar, ok? Não signifca que uma matéria sem aspas não possa ser verdadeira. Apenas penso que jornalista algum da imprensa marrom vai querer ser preso por calúnia ou difamação, não é mesmo?). Até que, de repente, meus olhos brilharam por algo totalmente indústria cultural. Por alguns longos minutos mergulhei num sonho completamente novo: a vontade de viajar num transatlântico caribenho. "Freedom of the Seas" é o nome dele.

Imaginem um navio de 15 andares com várias piscinas, sendo uma com um telão, outra com hidromassagem e outra com ondas artificiais. Parede de escalada, pista de corrida, cassino, spa, academia, cinema, teatro, patinação no gelo, sala de karaokê, sala de charutos e - que louco!!! - uma rua chamada "Royal Promenade" que funciona como um shopping center com bares, restaurantes e lojas. 



Imaginaram? Pois é. Foi por lá que eu viajei hoje à tarde. Sem sair da cadeira. Tudo isso porque a Revista Quem, que banca viagens nesse famoso transatlântico, decidiu entrevistar a atriz Fernanda Machado, que conheceu o atual namorado no Rio de Janeiro, enquanto ele dava aulas de inglês na cidade maravilhosa para uma creche da Favela da Rocinha. 

Ela havia sido convidada para fazer um teste para trabalhar num filme no exterior e percebeu que o inglês não estava tão bom assim. Começou a ter aulas com Robert Riskin, o americano altruísta. Por conta de alguns problemas pessoiais acabou não aceitando o papel, mas ganhou no lugar o novo namorado. 

Então a Revista Quem a entevistou e bancou a viagem deles no luxuosíssimo "Freedom of the Seas". Uma matéria de duas folhas frente e costa, mais umas duas só sobre o transatlântico (óbvio que a viagem foi muito bem paga pela propaganda que deve ter custado two million dollars) e missão cumprida: curiosidade pela vida alheia sanada e mais uma pobre mortal sonhando acordada, totalmente capturada pela teia do capitalismo selvagem. Tsc, tsc, tsc...

Imagina só você nesse cruzeiro, deitado (a) na piscina do transatlântico só de de biquini (ou sunga) de óculos escuros, curtindo umdelicioso prosecco...

Surreal?

Não, meu bem. Surreal é sair do consultório médico depois de um dia inteiro de trabalho árduo, ir pra parada de ônibus e ainda encontrar uma ex esnobe de um ex seu e ficar torcendo pra ela não te ver. Isso que é surreal.

22 de jan de 2012

A "boazinha" e a queda da visão cartesiana




Não sei a partir de que momento ganhei o estigma de 'boazinha' na empresa em que trabalho. E, muito menos, quando o aceitei sem grande discórdia. Afinal de contas, que mal haveria de ter ser uma pessoa boa?

Cresci aprendendo que desejar o bem alheio faz parte da fórmula da felicidade. E a responsável por todo esse processo de aprendizado (mamãe) usou comigo a técnica mais eficaz que os pais podem usar na educação dos filhos: agir como gostaria que eles agissem. E, assim sem muito esforço, fui deixando de achar ridículo ela chorar na frente da TV assistindo casos sensacionalistas e programas de auditório que presenteiam um pobre coitado em um milhão e nos faz achar que o mundo é um pouco melhor do que parece. Pior do que tudo isso: me peguei várias vezes chorando junto com ela. Nos olhamos e rimos juntas quando acontece.  

Mas, como dizia no começo, não sei a partir de que momento as pessoas do meu trabalho começaram a perceber essa característica em mim e me rotular como se isso fosse algo ruim. Um colega de trabalho (que, aliás, admiro muito) inventou de fazer comigo um "curso intensivo", que até hoje me pergunto como se chamaria... Curso de Maldade Aplicada ao Trabalho - módulo 1? Preciso confessar que com ele aprendi muitas coisas, inclusive um termo que adorei: "Assertividade" (na psicologia, "comportamento assertivo"), que é (de forma resumida) a capacidade de agir em interesse próprio, expressar seus sentimentos sem ferir a ninguém.

O que me trouxe até aqui, enfim, foi a pergunta: será mesmo que existe alguém "bonzinho" nos dias atuais? Vou mais além: "existe alguém 100% ruim?" Consultei alguns caras importantes do conhecimento científico e descobri alguns conceitos que gostaria de compartilhar com vocês:



Visão cartesiana


Dividir o todo em partes e estudá-las separadamente é o princípio da visão cartesiana, que foi uma das maiores contribuições científicas para a humanidade do brilhante matemático e fundador da filosofia moderna René Descartes. Foi o método de Descartes que tornou possível à NASA levar o homem à Lua. O problema é que ele também levou à fragmentação característica do nosso pensamento em geral e, sobretudo, nos fez acreditar que todos os aspectos dos fenômenos complexos podem ser compreendidos se reduzidos às suas partes constituintes. Graças a ele é que nosso sistema educacional é dividido em "séries" e em graus de dificuldade, mas isso não é de todo ruim. E por falar em todo...


Visão holística


Em termos filosóficos, a visão holística significa a interação da parte com o todo e se contrapõe ao pensamento reducionista cartesiano. A palavra Holismo – vem do grego holon – significa inteiro, integral, totalidade, realidade, que faz referência a um universo feito de conjuntos integrados que não pode ser reduzido à simples soma de suas parte. 


Significa dizer que Descartes não pode fazer mais do que esboçar as linhas gerais de sua teoria dos fenômenos naturais e quem completou foi Albert Einstein, que marcou o início da física moderna com a revolucionária Teoria da Relatividade. E olha que o cara da linguinha pra fora não foi um bom matemático, heim? Ele acertou ao aplicar a visão holística a suas pesquisas, com uma clareza de visão, percepção e raciocínio lógico que o deixavam sempre muitos passos à frente daqueles que eram cegados justamente pelo refino matemático.



Moral da história


A queda da visão cartesiana acabou influenciando a sociedade a não mais aceitar padrões anteriormente impostos pela literatura, indústria cinematográfica, teledramaturgia, etc. A ideia do vilão e do mocinho passa a ser criticada à medida que nos identificamos ora com um, ora com outro em nossas vidas cotidianas. Daí o porquê de não aceitarmos mais os casais "bonitinhos" que antes arrancavam suspiros das mulheres. 

Outro dia me peguei assistindo uma cena da novela "Fina Estampa". A vilã, Tereza Cristina, personagem fortemente caricato, demonstrou pela primeira vez na trama (sim, tenho assistido novela - crucifiquem-me...rs) algum sentimento bom e verdadeiro ao ver o sofrimento do criado (quem ela trata como escravo e só maltrata). Foi quando comecei a pensar em toda essa história de cartesianismo, holismo e liguei ao fato de eu ser taxada como 'boazinha'. E antes de me chatear com rótulos - que, inclusive, todos nós adoramos dar aos outros - me dou por satisfeita de não terem conhecido meu lado vilã...