11 de fev de 2012

Delírios científicos na academia



Sempre quis entrar pra história. Perpetuar uma grande ideia que em algum momento foi revolucionária. Ter meu nome na lista dos que contribuíram para a ciência. Ser referência em algum assunto (talvez em grande parte por ego). 


O fato é que criança, adoro pensar nas coisas da vida. Analisar as pessoas (principalmente as menos comuns), prestar atenção nos fenômenos naturais e assistir filmes que me instiguem a adquirir mais conhecimento. E essa fome pelo desconhecido até hoje me captura nos mais diversos momentos do dia: no ônibus, andando pela rua, numa mesa de bar, deitada em minha cama, na frente do computador e... hoje inaugurei um novo espaço de reflexão: academia.

Não muito empolgada, saí de casa pela manhã, para malhar e acabei encontrando uma velha amiga, com quem sempre adorei conversar. Bate-papo pra lá, bate-papo pra cá... começamos no chocolate de Gramado e passamos pra filmes, séries, até que aprofundamos em assuntos tão malucos abstratos que se alguém prestou atenção na gente, teve a certeza de que somos da Tribo de Jah bastante inteligentes. 


Andreia sempre foi a melhor companhia que tive para viajar na maionese (sei que ela vai rir disso). Fomos grandes companheiras na adolescência, até que nossos casamentos caminhos nos separaram.

O fato é que fomos concatenando pensamentos sobre física quântica, sistemaimortalidade, fim do mundo, viagem no tempo, vida em outros planetas, até chegarmos a uma teoria mui maluca que me fez todo o sentido do mundo e desequilibrou o alicerce de minhas certezas: a teoria da "memória genética":

O DNA é uma espécie de arquivo, certo? De inúmeras informações que determinam cor da pele, dos olhos, estrutura óssea, dentre muitas outras características. E nossos filhos são continuações dessas características agregadas do pai, da mãe e do resto da família. Correto? 


Até aí, nenhuma novidade. Mas... e se ele guardasse, além de tudo isso, uma espécie de memória compilada dos nossos antepassados? Como um arquivo zipado que só poderia ser acessado através de alguma técnica específica?

Isso explicaria muita coisa. Como o fato de nos identificarmos mais com algumas pessoas do que com outras. A internet tornou possível demonstrar que é possível se sentir próximo de quem está do outro lado do país ou do mundo e distante de quem mora na casa ao lado. 


Explicaria o porquê de pessoas adivinharem quando um grande amigo está precisando de ajuda. Minha tia sentiu e viu uma luz que correu do quarto pra sala no dia (e provavelmente na hora) em que a melhor amiga dela faleceu. Todos nós somos somos provenientes de um denominador comum. Somos interligados!

Se carregamos memórias de nossos antepassados, significa que se fosse possível montar nossa árvore genealógica até milhões de anos atrás, descobriríamos quais foram os primeiros habitantes da terra. Ou seja, poderíamos afirmar se eram primatas (o que certificaria a teoria do criacionismo) ou Adão e Eva (o que certificaria o evolucionismo enquanto teoria). 

A alegria do "Eureka" dura pouco. A minha durou até chegar em casa e meu marido me dizer: "Amor, isso é Memória Genética, a base da psicologia que atua com regressão!" e todos os meus sonhos científicos escoarem junto com a água do banho. Ao procurar na internet, milhares de artigos sobre o assunto que, há algumas horas, parecia tão... extraordinário... quanta pretensão, não é mesmo? Tsc, tsc, tsc.

Bom, mas teorias à parte, é bom viajar de vez em quando. E já que não tem transatlântico mesmo, me conformo com a boa e velha maionese. :)

6 de fev de 2012

Delírios consumistas no consultório médico

Acho que todo consultório médico deveria ter livros ao invés de TV ligada e revistas de fofoca. Aliás, essas em especial. Elas ativam uma parte muito consumista do nosso cérebro e pode causar delírios. É sério.

Com a consulta desmarcada um milhão de vezes por conta da correria diária, hoje finalmente arrumei um tempo para cuidar da minha saúde, pedir exames de rotina e essas coisas que toda mãe recomenda e a gente raramente ouve.

Sentada na sala de espera, sem meu fone de ouvido que hoje havia esquecido em casa, olhei para o lado e elas me fitavam. Desconfiadas, as revistas de fofoca queriam interagir comigo e eu relutando. Até que o tédio... tá, confesso... até que uma bizarra curiosidade pela vida alheia tomou conta de mim. E eu capturei uma, furtivamente. As outras moças ao meu lado nem desconfiaram. Entre tantos papos de doenças, nem me notaram. E eu mergulhei num universo novo, nunca antes explorado por mim: o mundo do GLAMOUR.

Soube da vida de muitos famosos. Me deparei com boatos, meias-verdades e até verdades que não tão raramente aparecem em forma de depoimentos (é minha forma de acreditar, ok? Não signifca que uma matéria sem aspas não possa ser verdadeira. Apenas penso que jornalista algum da imprensa marrom vai querer ser preso por calúnia ou difamação, não é mesmo?). Até que, de repente, meus olhos brilharam por algo totalmente indústria cultural. Por alguns longos minutos mergulhei num sonho completamente novo: a vontade de viajar num transatlântico caribenho. "Freedom of the Seas" é o nome dele.

Imaginem um navio de 15 andares com várias piscinas, sendo uma com um telão, outra com hidromassagem e outra com ondas artificiais. Parede de escalada, pista de corrida, cassino, spa, academia, cinema, teatro, patinação no gelo, sala de karaokê, sala de charutos e - que louco!!! - uma rua chamada "Royal Promenade" que funciona como um shopping center com bares, restaurantes e lojas. 



Imaginaram? Pois é. Foi por lá que eu viajei hoje à tarde. Sem sair da cadeira. Tudo isso porque a Revista Quem, que banca viagens nesse famoso transatlântico, decidiu entrevistar a atriz Fernanda Machado, que conheceu o atual namorado no Rio de Janeiro, enquanto ele dava aulas de inglês na cidade maravilhosa para uma creche da Favela da Rocinha. 

Ela havia sido convidada para fazer um teste para trabalhar num filme no exterior e percebeu que o inglês não estava tão bom assim. Começou a ter aulas com Robert Riskin, o americano altruísta. Por conta de alguns problemas pessoiais acabou não aceitando o papel, mas ganhou no lugar o novo namorado. 

Então a Revista Quem a entevistou e bancou a viagem deles no luxuosíssimo "Freedom of the Seas". Uma matéria de duas folhas frente e costa, mais umas duas só sobre o transatlântico (óbvio que a viagem foi muito bem paga pela propaganda que deve ter custado two million dollars) e missão cumprida: curiosidade pela vida alheia sanada e mais uma pobre mortal sonhando acordada, totalmente capturada pela teia do capitalismo selvagem. Tsc, tsc, tsc...

Imagina só você nesse cruzeiro, deitado (a) na piscina do transatlântico só de de biquini (ou sunga) de óculos escuros, curtindo umdelicioso prosecco...

Surreal?

Não, meu bem. Surreal é sair do consultório médico depois de um dia inteiro de trabalho árduo, ir pra parada de ônibus e ainda encontrar uma ex esnobe de um ex seu e ficar torcendo pra ela não te ver. Isso que é surreal.