16 de set de 2009

CLARICE LISPECTOR



Já escondi um AMOR com medo de perdê-lo, já perdi um AMOR por escondê-lo.
Já segurei nas mãos de alguém por medo, já tive tanto medo, ao ponto de nem sentir minhas mãos.
Já expulsei pessoas que amava de minha vida, já me arrependi por isso.
Já passei noites chorando até pegar no sono, já fui dormir tão feliz, ao ponto de nem conseguir fechar os olhos.
Já acreditei em amores perfeitos, já descobri que eles não existem.
Já amei pessoas que me decepcionaram, já decepcionei pessoas que me amaram.
Já passei horas na frente do espelho tentando descobrir quem sou, já tive tanta certeza de mim, ao ponto de querer sumir.
Já menti e me arrependi depois, já falei a verdade e também me arrependi.
Já fingi não dar importância às pessoas que amava, para mais tarde chorar quieta em meu canto.
Já sorri chorando lágrimas de tristeza, já chorei de tanto rir.
Já acreditei em pessoas que não valiam a pena, já deixei de acreditar nas que realmente valiam.
Já tive crises de riso quando não podia.
Já quebrei pratos, copos e vasos, de raiva.
Já senti muita falta de alguém, mas nunca lhe disse.
Já gritei quando deveria calar, já calei quando deveria gritar.
Muitas vezes deixei de falar o que penso para agradar uns, outras vezes falei o que não pensava para magoar outros.
Já fingi ser o que não sou para agradar uns, já fingi ser o que não sou para desagradar outros.
Já contei piadas e mais piadas sem graça, apenas para ver um amigo feliz.
Já inventei histórias com final feliz para dar esperança a quem precisava.
Já sonhei demais, ao ponto de confundir com a realidade... Já tive medo do escuro, hoje no escuro "me acho, me agacho, fico ali".
Já cai inúmeras vezes achando que não iria me reerguer, já me reergui inúmeras vezes achando que não cairia mais.
Já liguei para quem não queria apenas para não ligar para quem realmente queria.
Já corri atrás de um carro, por ele levar embora, quem eu amava.
Já chamei pela mamãe no meio da noite fugindo de um pesadelo. Mas ela não apareceu e foi um pesadelo maior ainda.
Já chamei pessoas próximas de "amigo" e descobri que não eram... Algumas pessoas nunca precisei chamar de nada e sempre foram e serão especiais para mim.
Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre.
Não me mostre o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração!
Não me façam ser o que não sou, não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente!
Não sei amar pela metade, não sei viver de mentiras, não sei voar com os pés no chão.
Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra SEMPRE!
Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes.
Tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco q eu vou dizer:
- E daí? EU ADORO VOAR!

9 de set de 2009

A mesmice cansa...


Fico muito triste quando percebo que algumas pessoas não mudam o disco. Ta certo que alguns álbuns são bons, algumas músicas eternos sucessos, mas nada disso justifica a falta de criatividade para se reinventar, se reciclar. Entra ano e sai ano e o pessoal da casa ao lado continua ouvindo brega, o vizinho do outro lado da rua ainda põe baladas de Adão e Eva no paraíso (é, porque ainda teve a época que eles “se mudaram” pra terra e passaram a curtir um heavy metal).
Alguns amigos continuam indo todo final de semana para o mesmo barzinho, escutar as mesmas músicas e ver aquelas figuras manjadas que ora ou outra aparecem acompanhadas e tempos depois vemos novamente sozinhas – com a plaquinha pendurada no pescoço: “procura-se”. Outros dizem não ter opção além de cinema e televisão e, por já terem decretado a sentença, para eles só resta cinema e televisão.
O namorado da amiga reclama de grana desde que o conheci. Nunca tem dinheiro pra sair, mas vive postando fotos dele no orkut, nos lugares mais variados e sempre com uma latinha de cerveja na mão. Ela reclama, eles brigam, ela chora, eles terminam, ela chora, ele corre atrás e eles voltam. Duas semanas depois ela volta a reclamar, eles brigam, ela chora, eles terminam, ela chora... e assim sucessivamente.
Os familiares continua se reunindo só em datas comemorativas, quando todos se sentem na obrigação de ir: “Porque a Maria Antônia foi no aniversário de 15 anos do Juquinha e fica chato não ir no dela” ou porque “é dia de passar com a família. Lá eles ainda falam mal uns dos outros pelas costas, outros se ofendem mas na hora de cumprimentar o que prevalece é o sorriso educado e amarelo. “Não vale a pena criar inimizade à toa”.
A classe trabalhadora permanece fazendo greve perto da época de data-base, as empresas dizendo que não têm condições de dar reajuste real, os governantes apostando que o ano posterior será melhor, os economistas calculando números de contas exorbitantes que o povo não sabe nunca por onde passa, de quem veio e para quem vai.
Os anos passam e as pessoas ainda reclamam do Brasil, mas nada fazem para mudar o cenário degradante de corrupção e negligência com a qualidade de vida oferecia à maioria. A vida passa e todos só assistem, como meros espectadores à espera de um final feliz que nunca chega. Porque os próprios protagonistas da novela ainda não se deram conta de que também são roteiristas e diretores.
Parece que gostamos de viver assim, reclamando das mesmas coisas, buscando as mesmas coisas, vendo o mundo com os mesmos olhos e repelindo o que é diferente por medo do desconhecido. Se é para arriscar e ter algo pior, é preferível ficar na mesmice. Ela não incomoda, apenas cansa. Cansa na segunda-feira de manhã, cansa ver o contra-cheque no final do mês, cansa andar apavorado pelas ruas e saber que se o Estado não oferece segurança, mesmo assim temos que continuar cansando – porque ele também não vai pagar as nossas contas.
Espero que um dia os amigos conheçam outras formas de diversão que não sejam o mesmo bar, o namorado da amiga tome vergonha na cara, os familiares se reúnam não somente em datas comemorativas e parem de fofoca, que a classe trabalhadora leia Karl Max, se dê conta da força que tem em mãos e articule estratégias mais inteligentes para obter mais benefícios, que o brasileiro não espere mais o carnaval e a Copa do Mundo para agir e que eu deixe de só escrever e também faça alguma coisa para tentar mudar essa pouca vergonha.