8 de ago de 2016

(ME) Retomando, reescrevendo, reinventando



Estou de volta! Há quanto tempo não escrevia???? No último post o texto nem foi de minha autoria. Esse é o bloqueio criativo mais longo da minha vida. OU era. Decidi interrompê-lo, ele querendo ou não. Preciso voltar a transformar sentimentos em palavras, coisa que faço desde a infância, meu free passaport para qualquer lugar do mundo, mas que por algum motivo (ainda desconhecido) deixei de lado. 3 anos e alguns meses apenas arquivando experiências, pensamentos... tanta vida por registrar!

Lembrando aqui que minha próxima tattoo deve ser um trecho de uma música da banda Oriente (é, aprendi a gostar de rap  nesse período de reclusão): 

"Não importa onde estamos, nossa mente é nosso lar"

Talvez esse seja o momento perfeito para me inspirar, instigar, pegar meus anseios e frustrações e postar em forma de crônicas e poesias. Se conseguirei ou não, não sei. Mas o primeiro passo já foi dado. :)

Muita coisa aconteceu. Minha vida mudou tanto de uns 3 anos pra cá que nem me reconheço mais nesse blog. Preciso repaginá-lo. Mas não vou contar detalhes aqui, pois esse não é o objetivo deste post. É um post de retorno. Como quando um velho amigo aparece depois de muitos anos distante e você nem se preocupa em saber de tudo. Quer apenas olhá-lo nos olhos e ver se está bem. Aos poucos, enquanto tomamos um café, vamos notando as novas marcas de expressões, cicatrizes e, aí sim, perguntamos sobre cada uma delas e suas histórias. 

Fui diagnosticada com fibromialgia ano passado. Foi um período doloroso e difícil, de adaptação, remédios fortes e uma luta contra fortes dores. Pra completar, tive que parar de beber. Pelo menos por alguns meses. Missão... quem me conhece sabe. Mas venci. Passei por duas crises existenciais, tentei ser mãe e não consegui (ainda não era - ou não é - hora), vivi uma grande paixão que acreditava ser amor. Me entreguei, amei mais do que deveria, mais do que a mim. Errei. Erraram comigo. Mas vivemos intensamente. Foram bons anos, apesar dos caminhos tortuosos, que me renderam grandes aprendizados.

Hoje - que é o que de fato importa - é que pela primeira vez na vida estou permitindo me conhecer verdadeiramente. Sempre fui o que eu era ao lado de outras pessoas. Amizades de 5, 10 anos se foram. Relacionamentos intensos, tanto quanto sou. Muitos mundos que me permiti conhecer e que me trouxeram inúmeros aprendizados. Enfim, ciclos que se fecharam para que um novo pudesse se abrir. E esse é apenas meu, disso não abro mão. Sou eu, comigo mesma, escrevendo minha própria história. Redundantemente real. Serei  roteirista, diretora e protagonista de meu próprio filme (recheado de aventuras, como todos os capítulos anteriores). 

Mas não se engane. Continuo o mesmo ser sociável e profundamente romântico. Portanto, aceito companhia.:)

6 de abr de 2016

Onde estão as pessoas interessantes?

Não sei mais o que fazer das minhas noites durante a semana. Em relação aos finais de semana já desisti faz tempo: noites povoadas por pessoas com metade da minha idade e do meu bom senso. Nada contra adolescentes, muitos deles até são mais interessantes e vividos do que eu, mas to falando dos “fabricação em série”. Tô fora de dançar os hits das rádios e ter meu braço ou cabelo puxado por um garoto que fala tipo assim, gata, iradíssimo, tia.

Tinha me decidido a banir a palavra “balada” da minha vida e só sair de casa para jantar, ir ao cinema ou talvez um ou outro barzinho cult desses que tem aberto aos montes em bequinhos charmosos. Mas a verdade é que por mais que eu ame minhas amigas, a boa música e um bom filme, meus hormônios começaram a sentir falta de uma boa barba pra se esfregar.

Já tentei paquerar em cafés e livrarias, não deu muito certo, as pessoas olham sempre pra mim com aquela cara de “tô no meu mundo, fique no seu”. Tentei aquelas festinhas que amigos fazem e que sempre te animam a pensar “se são meus amigos, logo, devem ter amigos interessantes”. Infelizmente essas festinhas são cheias de casais e um ou outro esquisito desesperado pra achar alguém só porque os amigos estão todos acompanhados. To fora de gente desesperada, ainda que eu seja quase uma.

Baladas playbas com garotas prontas para um casamento e rapazes que exibem a chave do Audi to mais do que fora, baladas playbas com garotas praianas hippye-chique que falam com voz entre o fresco e o nasalado (elas misturam o desejo de serem meigas com o desejo de serem manos com o desejo de serem patos) e rapazes garoto propaganda Adidas com cabelinho playmobil também to fora. 

O que sobra então? Barzinhos de MPB? Nem pensar. Até gosto da música, mas rapazes que fogem do trânsito para bares abarrotados, bebem discutindo a melhor bunda da firma e depois choram “tristeza não tem fim, felicidade sim” no ombro do amigo, têm grandes chances de ser aquele tipo que se acha super descolado só porque tirou a gravata e que fala tudo metade em inglês ao estilo “quero te levar pra casa, how does it sounds?”

Foi então que descobri os muquifos eletrônicos alternativos, para dançar são uma maravilha, mas ainda que eu não seja preconceituosa com esse tipo, não estou a fim de beijar bissexuais sebosos, drogados e com brinco pelo corpo todo. To procurando o pai dos meus filhos, não uma transa bizarra.

Minha mais recente descoberta foram as baladinhas também alternativas de rock. Gente mais velha, mais bacana, roupas bacanas, jeito de falar bacana, estilo bacana, papo bacana… gente tão bacana que se basta e não acha ninguém bacana. Na praia quem é interessante além de se isolar acorda cedo, aí fica aquela sensação (verdadeira) de que só os idiotas vão à praia e às baladinhas praianas. Orkut, MSN, chats… me pergunto onde foi parar a única coisa que realmente importa e é de verdade nessa vida: a tal da química.

Mas então onde Meu Deus? Onde vou encontrar gente interessante? O tempo está passando, meus ex já estão quase todos casados, minhas amigas já estão quase todas pensando no nome do bebê,… e eu? Até quando vou continuar
achando todo mundo idiota demais pra mim e me sentindo a mais idiota de todos?

Foi então que eu descobri. Ele está exatamente no mesmo lugar que eu agora, pensando as mesmas coisas, com preguiça de ir nos mesmos lugares furados e ver gente boba, com a mesma dúvida entre arriscar mais uma vez e voltar pra casa vazio ou continuar embaixo do edredon lendo mais algumas páginas do seu mundo perfeito.

A verdade é que as pessoas de verdade estão em casa. Não é triste pensar que quanto mais interessante uma pessoa é, menor a chance de você vê-la andando por aí?

Tati Bernardi