26 de jan de 2011

Faz parte do todo...


Ao braço do Menino Jesus de Nossa Senhora das Maravilhas, a quem infiéis desperdiçaram


(A parte e o todo, Gregório de Matos)

O todo sem a parte não é todo,

A parte sem o todo não é parte,
Mas se a parte o faz todo, sendo parte,
Não se diga, que é parte, sendo todo.
  
Em todo o sacramento está Deus todo,
E todo assiste inteiro em qualquer parte,
E feito em partes todo em toda a parte,
Em qualquer parte sempre fica o todo.
  
O braço de Jesus não seja parte,
Pois que feito Jesus em partes todo,
Assiste cada parte em sua parte.
  
Não se sabendo parte deste todo,
Um braço, que lhe acharam, sendo parte,
Nos disse as partes todas deste todo.


A poesia cultista de Gregório de Matos me veio à mente hoje, durante um episódio. Tenho sido, sem pretensão, as partes e o todo de uma determinada situação. Dentro desse "quadro", digamos assim, preciso chupar e assoviar cana ao mesmo tempo. Bem distante do modelo de produção fordista - no qual o funcionário só sabia apertar o parafuso e sequer tinha conhecimento do produto final -, tenho participado de cada etapa, prestando atenção em cada detalhe e me esforçando ao máximo pra que no final saia tudo certo.

Infelizmente, como tudo na vida tem dois pesos e duas medidas, abraçar o mundo com as pernas nem sempre é sinônimo de retorno positivo (como o reconhecimento que, justiça seja feita, tenho tido). Não ter para quem demandar - eventualmente - tarefas, acaba te sobrecarregando e quando você percebe está trocando um parafuso que pode destruir todo maquinário.

Foi o que quase aconteceu hoje. Eu chupei a cana e na hora de assoviar, quase não consigo. Fui cobrada, advertida, mesmo com fatores alheios à minha vontade (pequenos problemas pontuais, além dos costumeiros). E eu tendo me esforçado - sozinha - pra montar cada peça desse todo. No entanto, bastou um parafuso fora do lugar e quase desmoronou a estrutura, inclusive a minha.

Saldo do dia: a vida é como a produção de um filme, uma nota no final do bimestre, uma aprovação. Não importa se você trocou um ambiente de uma cena por outro. Ou se você tem um pontinho vermelho no boletim. Se o filme foi sucesso de bilheteria e elogiado pela crítica ou no final do ano você foi aprovado, é o que importa para o todo. O resto pertence à cota da minoria. Ninguém quer saber os tortuosos caminhos que você percorreu, se não tinha sinalização ou se caminhou sozinho do início ao fim. Se não chegar, em tempo hábil, no resultado esperado, todas as partes do todo poderão ter sido em vão.



16 de jan de 2011

Foto de Miguel Chikaoka, Exposição Confluências JapanAmazônia, Belém Pará


O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...
Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...

O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...

Eu não tenho filosofia; tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar...

Amar é a eterna inocência,
E a única inocência é não pensar...

Retirado do livro "Fernando Pessoa, Poesia Completa de Alberto Caeiro"

12 de jan de 2011

Feliz Aniversário, Belém!


Túneo de mangueiras
Açaí
Cupuaçu
Círio de Nazaré
Boto
Ver - o - Peso
Égua!!!
Pai D'égua
Manga
Pororoca
Miriti
Carimbó
Patchouli


Hoje minha cidade morena completa 395 aninhos e eu não poderia deixar de lhe fazer uma homenagem pai d'égua (rs).


Flor do Grão Pará - Lucinha Bastos
Composição: Chico Sena

Sim, eu tenho a cara do Pará
O calor do carimbó
O uirapuru que sonha
Sou muito mais,
Eu sou,
Amazônia
Rosa flor vem plantar mangueira
E o cheira_cheira do tacacá
Meu amor ata a baladeira
E balança a beira do rio mar
Belém, Belém acordou a feira
Que é bem na beira do Guajará
Belém, Belém, menina morena
Vem ver-o-peso do meu cantar
Belém, Belém és minha bandeira
És a flor que cheira do Grão Pará
Belém, Belém do Paranatinga
Do bar do parque do bafafá
Bentivi, sabiá, palmeira
Não dá baladeira
Deixa voar
Belém, Belém acordou a feira
Que é bem na beira do Guajará
Belém, Belém, menina morena
Vem ver-o-peso do meu cantar
Belém, Belém és minha bandeira
És a flor que cheira do Grão Pará


FELIZ ANIVERSÁRIO, MINHA CIDADE MORENA!

10 de jan de 2011

5 meses!


Começamos dividindo uma situação em comum. Hoje, após cinco meses de namoro, dividimos sentimentos recíprocos e planos de uma vida a dois. Duas pessoas, duas cidades, duas realidades diferentes... um amor. Puro, repleto de confiança, ternura, cumplicidade, desejo,  amizade. Confesso não ter imaginado que um e-mail adicionado do MSN me traria até aqui. Cinco meses. Quatro esperando ansiosamente e um querendo que o tempo congelasse. Agora mais cinco ou seis de longa espera para mais um de intensa felicidade. Aí o último semestre do meu curso de jornalismo, minha formatura e... 

... alguém vai ter que fazer uma escolha...


Amor, ver o teu avião decolar foi uma das sensações mais estranhas que já tive na vida. Não, não era uma despedida (como bem escreveste na cartinha). Era só o começo. 

“Se alguém ama uma flor que se encontra numa estrela, é bom à noite olhar o céu, todas as estrelas estão floridas.” (Antoine de S’anti Exupéry – O Pequeno Príncipe)

*Je veux etre avec toi (pour toujour)*