14 de mai de 2009

A razão


Já fez um mês e 4 dias que ela se foi, minha vozinha. E ainda não consigo acreditar. Nunca aceitei o fato de que esse dia - inevitavelmente - chegaria. E mesmo nos momentos de maior lucidez - quando me permitia pensar na hipótese - sempre achava que ainda não estava perto. "Quando eu for para os Estados Unidos...", ela dizia. E eu sempre retrucava: "A senhora não é nem doida!"
Gostava de compará-la à Dercy Gonçalvez, de vê-la tão ativa cozinhando, conversando com a família, indo a festas, novenas... Tenho foto dela no meu aniversário de 23 anos, que foi num videokê (local fechado, com fumaça de cigarro entranhando em tudo quanto é póro e música altíssima)! Por aí dá pra imaginar como ela era, não é mesmo?
86 anos de muita, mas muita palhaçada. Vovó era gaiata que nem eu. Aliás, sou gaiata que nem ela!
1º de abril ela pegou todo mundo lá em casa, menos a mim. Eu a enganei! Hahahaha! Preciso guardar todas essas boas lembranças para momentos como esse, quando a saudade bate e o desespero de querer vê-la, abraçá-la de novo, toma conta de mim.
Dona Olívia. O elo da família. Nunca disse isso a ela (sempre vai ter tido algo quea gente não disse, não fez...), mas ela foi a razão de tudo ter acontecido. Se não fosse por ela, eu não estaria aqui, escrevendo este post. Não existiria mamãe, minhas tias, meus primos. Se bem pensarmos, ela não se foi por completo. Deixou um pedaço dela conosco. Costumes, frases, histórias... genes. Cada um de nós é um pouquinho do que ela foi. E ainda é. Em nossos corações, no céu, nos "Estados Unidos"... :)
E foi assim que descobri a razão de Deus ter inventado a família.

Um comentário:

Raíssa Biolcati disse...

Lindo o teu post. E é assim mesmo quando alguém nos deixa, uma chuva de momentos que a gente nunca vai esquecer e uma saudade que nem cabe dentro da gente.
Se cuida!
Beijos