7 de jan de 2010

Amar (de)mais ou (de) menos?




Uma amiga liga chorando. Você atende assustada, pergunta o que aconteceu, esperando uma história no mínimo trágica. "Amiga, ele me traiu com a vizinha!". Irritada, você não demonstra a menor compaixão. Acha um exagero todo aquele drama e acaba dizendo coisas superficiais e práticas: "não chore, coma chocolate, compre um vibrador". Não é maldade, mas o ceticismo avisa que em menos de 24 horas eles estarão bem novamente e daqui a dois anos ela apenas lembrará que namorou um cara que usava cueca amarela e colecionava latinha de cerveja.

No trovadorismo, os cavaleiros apaixonavam-se pela esposa do senhor feudal e escreviam-lhe poemas chorosos, mesmo sem um fio de esperança em, um dia, tê-la. Mas era moda. Era bonito. No romantismo, os poetas desejavam morte a cada desilusão, seus assuntos oscilavam entre amor eterno e melancolia profunda. Mas era moda. Era bonito.

Dizem que a moda contemporânea é curtir sem se envolver. Discordo. Acho, inclusive, que amamos até demais. Sabe o lema Cazuzístico "adoro um amor inventado"? Morrer de amores, sim. Só que não mais pela nobre donzela da corte e sim por uma pessoa diferente a cada três, quatro semanas. É mais prático. Menos pesaroso. Dizer "eu te amo" ao Cláudio, à Roberta, ao Charles, à Fernanda, é normal. Pois cada nova paixão parece maior que a anterior e pode ser o grande amor de nossas vidas. Será?!

Os feudos hoje são multinacionais. Os senhores feudais, multimilionários. Os trovadores, como canta Rita Ribeiro, "são tipos populares que vivem pelos bares". Homens comuns espalhados pela cidade repleta de corações à deriva. A senhora feudal é a loira siliconada que participou do BBB, ficou famosa, casou com um jogador de futebol, divorciou-se pouco tempo depois (podre de rica) e agora aparece nas colunas sociais com outro.

Estamos mais frios ou finalmente achamos a fórmula da felicidade? Os relacionamentos acabam mais rápido para que aproveitemos mais a vida? Se amamos (de)mais ou (de) menos, realmente não sei. Talvez nem saibamos ao certo o que é amar.

3 comentários:

Sara disse...

Olá Escarlate, vou escrever sim sobre a música que marcou e o porque, muito boa dica. Agora tenho que confessar que este tema do amor balançou aqui meus pensamentos, pois acredito no amor, no amor simples, realista, o amor que vem a seguir uma história a dois, lutas, uma sucessão de quedas e tristezas mutuas, onde dois seres que se querem bem juntam forças e se levantam, não obrigados mas sim decididos por livre arbítrio a seguirem juntos uma vida de amor com respeito, compreensão e fidelidade. Sabe que não seria má ideia escrever também sobre o quão simples é este amor, um amor da vida real, que nada tem a ver com a moda, o dinheiro, tem a ver com olhar, sentir e querer bem… continuo depois na minha Essência…beijinhos e um 2010 cheio de amor para ti…

L.S. Alves disse...

Em se tratando de amor acredito que a maior loucura que a humanidade pode perpetrar é tentar explicá-lo, reduzindo-o a algo compreensível e acessível a todas as pessoas.
Quanto a mudança constante de paixões vemos que a s pessoas não querem mais que os casamentos/relacionamentos sejam eternos, como no tempo em que a sociedade considerava o divórcio um tabu, e as pessoas ficavam presas em relacionamentos insalubres. Entretanto esperam que os parceiros de hoje se comportem como os de antigamente. E que o eu te amo torne-se uma declaração de prisão perpétua. Querem ser livres para abandonar o barco quando consideram que estão no rumo errado, mas não aceitam que o companheiro tente mudar a rota ou trocar de embarcação. Talvez o problema não seja o amor ou a paixão, talvez seja tudo uma questão de egoísmo exacerbado.
Um abraço moça.

Claudiana disse...

O amor, o amar...acho que as coisas é que estão rápidas, fulgazes. Ama-se com a mesma intensidade e velocidade com que se desama. Com o ódio tb é assim, vc odeia e logo em seguida perdoa. Transições. Necessidades de mudanças, transformações. E seguimos caminhando e cantando e seguindo a canção, o importante é não deixar de cultivar os bons sentimentos, como as amizades que valem a pena...por isso, te curto, te cuido, te admiro minha "poeta" amiga!