6 de fev de 2010

DANCE, MONKEYS, DANCE (Tradução - vídeo do youtube)




Há bilhões de galáxias no universo observável. E cada uma delas contém centenas de bilhões de estrelas. Em uma dessas galáxias, orbitando uma dessas estrelas, há um pequeno planeta azul. E este planeta é governado por um bando de macacos. Mas esses macacos não pensam em si mesmos como macacos. Eles nem sequer pensam em si mesmos como animais. De fato, eles adoram listar todas as coisas que eles pensam separá-los dos animais: Polegares opositores. Autoconsciência. Eles usam palavras como "Homo Erectus" e "Australopithecus". Você diz to-ma-te, eu digo to-ma-ti. Eles são animais, certo? 

Eles são macacos. Macacos com tecnologia de fibra ótica digital de alta velocidade, mas ainda assim macacos. Quero dizer, eles são espertos, você precisa reconhecer isso. As pirâmides, os arranha-céus, os jatos, a Grande Muralha da China, isso tudo é muito impressionante para um bando de macacos. 

Macacos cujos cérebros evoluíram para um tamanho tão ingovernável que agora é bastante impossível para eles ficarem felizes por muito tempo. Na verdade, eles são os únicos animais que pensam que deveriam ser felizes. Todos os outros animais podem simplesmente... ser.. Mas não é tão simples, para os macacos. Pois os macacos são amaldiçoados com a consciência e assim os macacos têm medo. 

Os macacos se preocupam. Os macacos se preocupam com tudo! Mas acima de tudo, com o que todos os outros macacos pensam. Porque os macacos querem desesperadamente se encaixar com os outros macacos. O que é bem difícil, porque a maior parte dos macacos se odeia. Isto é o que realmente os separa dos outros animais. Estes macacos odeiam. Eles odeiam macacos que são diferentes, macacos de lugares diferentes, macacos de cores diferentes. 

Sabe, os macacos se sentem sozinhos. Todos os seis bilhões deles. Alguns dos macacos pagam outros macacos para ouvir seus problemas. Os macacos querem respostas. Os macacos sabem que vão morrer, então os macacos fazem deuses e os adoram. Então os macacos começam a discutir quem fez o deus melhor. E os macacos ficam irritados. E é quando geralmente os macacos decidem que é uma boa hora de começar a matar a uns aos outros. Então os macacos fazem guerra. Os macacos fazem bombas de hidrogênio. Os macacos têm o planeta inteiro preparado para explodir. 

Os macacos não sabem o que fazer. Alguns dos macacos tocam para uma multidão vendida de outros macacos. Os macacos fazem troféus e então eles os dão para si mesmos. Como se isto significasse algo. Alguns dos macacos acham que sabem de tudo. Alguns dos macacos lêem Nietzsche. Os macacos discutem Nietzsche, sem dar qualquer consideração ao fato de que Nietzsche era só outro macaco

Os macacos fazem planos. Os macacos se apaixonam. Os macacos fazem sexo. E então fazem mais macacos. Os macacos fazem música. E então os macacos dançam. Dancem, macacos, dancem! Os macacos fazem muito barulho. Os macacos têm tanto potencial, se eles pelo menos se dedicassem...! Os macacos raspam o pêlo de seus corpos numa ofensiva negação de sua verdadeira natureza de macaco. 

Os macacos constroem gigantes colméias de macacos que eles chamam de "cidades". Os macacos desenham um monte e linhas imaginárias na terra. Os macacos estão ficando sem petróleo, que alimenta sua precária civilização. Os macacos estão poluindo e saqueando seu planeta como se não houvesse amanhã. Os macacos gostam de fingir que está tudo bem. Alguns dos macacos realmente acreditam que o universo inteiro foi feito para seu benefício. Como você pode ver, esses são uns macacos atrapalhados. Estes macacos são ao mesmo tempo as mais feias e mais belas criaturas do planeta. E os macacos não querem ser macacos. Eles querem ser outra coisa... Mas não são.

(Ernest Cline)

3 comentários:

Lis. disse...

Uma vez, faz tempo atrás, vi um quadro pendurado na parede de um consultório psiquiatrico, onde aparecia na parte superior um conturbado e difícil convívio social.

Era na verdade uma gravura, um desenho em preto e branco mostrando na parte de cima um número incontável de transtornos. Assaltos, gritos, congestionamentos, poluição, multidões...

Já na parte de baixo, estava desenhado apenas um banquinho ao lado de um ponto de ônibus. Fiquei vendo essa gravura por alguns instantes e um amigo passando pelo local perguntou-me:

- O que você está vendo na gravura?

Respondi: Muita confusão nessa parte de cima, e eu gostaria de estar sentado aqui embaixo, no banquinho ao lado deste ponto de ônibus.

E o meu amigo disse:

- Talvez não seja mesmo conveniente estar neste inferno todo, mas acredito entre esta confusão toda, e estar apenas sentado num banquinho, há de ter lugar intermediário e confortável, onde poderá permanecer.

Hoje, noto que se tomo uma postura de observar o mundo de cima para baixo, faço-o por ser antes critico de mim mesmo, pois sinto necessidade -antes e acima de tudo- de salvaguardar-me do mundo "evoluído" e perfeito, que tudo tira e nada acrescenta no campo da evolução intelectual.

Então a parte de mais me choca é uma constatação surpreendente registrada em sua postagem: E os macacos não querem ser macacos. Eles querem ser outra coisa... Mas não são.

Isso me fez lembrar o primeiro filme que assisti no cinema: "2001 uma Odisséia no Espaço", filme que apresenta a luta do ser humano em busca da perfeição, encontra confusão, e volta para as origens do início: Um ser das descobertas. Apenas Macaco.

Bom fim de semana Flávia.

Claudiana disse...

Falta-lhes consciência mas, infelizmente, são apenas MACACOS.

L.S. Alves disse...

Eu tinha conferido esse video atraves do comentário que você deixou lá em casa. Gostei e traz a mente um monte de questões pra gente digerir.
Um abraço moça.