Disse que não acreditava em almas gêmeas para ela. Mas depois de um certo tempo, começou a duvidar de suas próprias convicções. Talvez existisse isso mesmo, essa sorte de encontrar pessoas certas. Nunca confessara a ninguém, mas começou a acreditar em destino, tinha vergonha da gozação que fariam seus amigos. Mas sabia que ninguém que cruzasse seu caminho estava ali por mero acaso. Mas sim, para ensinar alguma coisa, para nos transformar, ou fazer com que ajustemos falhas, erros, ou simplesmente paremos para pensar. Sozinho, fumando o seu cigarro, mexia com o dedo indicador o copo de vinho que sempre o acompanhava em algumas noites de solidão, quando batia aquela saudade, quase dor, a espetar-lhe o coração como se espeta um boneco de vudu. Fazia algum tempo que sua mulher o deixara. Era tão estranho a sua ausência, mas lembrar não lhe fazia tão mal. Ao contrário. Tudo havia sido tão especial desde o início que até o primeiro beijo foi inusitado. Menos de tr...
Mãe, vou casar! Jura, meu filho ?! Estou tão feliz ! Quem é a moça ? Não é moça. Vou casar com um moço. O nome dele é Murilo. Você falou Murilo… Ou foi meu cérebro que sofreu um pequeno surto psicótico? Eu falei Murilo. Por que, mãe? Tá acontecendo alguma coisa? Nada, não.. Só minha visão que está um pouco turva. E meu coração, que talvez dê uma parada. No mais, tá tudo ótimo. Se você tiver algum problema em relação a isto, melhor falar logo… Problema ? Problema nenhum. Só pensei que algum dia ia ter uma nora…Ou isso. Você vai ter uma nora. Só que uma nora… Meio macho. Ou um genro meio fêmea. Resumindo: uma nora quase macho, tendendo a um genro quase fêmea… E quando eu vou conhecer o meu. A minha… O Murilo? Pode chamar ele de Biscoito. É o apelido. Tá ! Biscoito… Já gostei dele… Alguém com esse apelido só pode ser uma pessoa bacana. Quando o Biscoito vem aqui? Por quê ? Por nada. Só pra eu poder desacordar seu pai com antecedência. Você acha que...
"... pareço forte, mas no fundo sou fraca fera, porém sou bela às vezes chata, mas no meu íntimo há sentimentos diversos Pareço metida, porém se olhares em meu semblante, com seu coração, verás apenas humildade. Calma sempre. Posso até parecer solitária... É que realmente tenho poucos amigos." (Clarice Lispector) Li esse texto no (Re)canto da Fênix e me identifiquei. Nem me espanto mais. É Clarice. O curioso é a coincidência. Poucos minutos antes de abrir o blog, vinha pensando em minha realidade social. Passo o dia na TV, onde tenho excelente rede de relacionamento (profissional). Falo com todo mundo, todos gostam de mim. Mas sou na minha. Estou sempre acompanhada, mas não faço parte de nenhum grupo (partidário, de amigos, das mamães, dos que se reúnem fora do ambiente de trabalho). É como sou no restante da minha vida: sempre rodeada de pessoas e, ao mesmo tempo, sempre só. Sempre que falo com a Elga, ela sempre está com o grupinho dela. Eles fazem tudo juntos. Vão ao ...
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