Postagens

Santa Semana Santa...

Imagem
Era só uma brincadeira... "Amor, vamos viajar na semana santa?", disse com uma vontade enorme de que fosse verdade e eu pudesse realmente te ver. Ainda que por um curto espaço de tempo. Mas, incrível: virou realidade. No dia 21 de abril, às 16:30h, eu estava partindo num avião da TAM, com destino a Porto Alegre.Como foi pra gente decidir e programar tudo tão rápido, eu já nem me lembro. Agora tudo que tenho em minha memória é teu rosto, o olhar lindo que ganhei ao te avistar (de cartolinha e gravata!!!) enquanto aguardava minha mala chegar pela esteira (foram os dez minutos mais longos da minha vida), o perfume forte que senti no teu abraço (acabaste com metade do vidro, no mínimo), os dias incríveis que passei ao teu lado. Essas lembranças, sim. Permanecem vivas dentro de mim. Todo o resto, antes daquela quinta-feira e após o dia 9 de janeiro (quando foste embora), foi apagado. Mesmo os momentos maravilhosos que passamos do nosso jeitinho de estar junto não se comparam...

Dona Neide e o sonho de ser jornalista

Imagem
Essa aí é Neide Batista. Ela tem 50 e alguns anos e um grande sonho: ser jornalista. A conheci há quase 4, quando entrei na Faculdade de Jornalismo. Ela gravava, há 20, livros falados para deficientes visuais no Instituto Álvares de Azevedo (mais conhecido como "escola de cegos"). Foi da minha turma durante um ano, até as coisas apertarem financeiramente e ela precisar abandonar o curso.  Dona de uma voz grave, dicção impecável e piadas um tanto ácidas, Dona Neide (como carinhosamente a apelidei) é uma figura diferente de tudo que já conheci. Sinceridade é sua marca registrada. É do tipo "ame ou odeie" e, justamente por isso, me conquistou.  Sentar num bar com Neide Batista é como abrir um livro de 500 páginas, uma biografia que qualquer terráqueo adoraria ler. A história de vida dessa mulher já começa diferente, com a mãe que quase a mata (sem querer, óbvio), as cervejas que ela tomava escondida atrás da porta quando criança, e prossegue tão absurda quanto.  ...

A ciência explica por que somos divas

Imagem
Para muita gente, 8 de março é apenas um dia em que mulheres recebem flores na saída de restaurantes e lojas. A data, porém, marca mais de um século de movimentos pela emancipação das mulheres. Hoje, Dia Internacional da Mulher, resolvi sair do clichê das frases feitas e me utilizar da ciência para entender por  que merecemos ser homenageadas. Revelo aqui no Escarlate algumas das características (todas seria impossível, pois passaria pelo lado sobrenatural da coisa...rs) que nos fazem não melhores, mas diferentes dos homens: verdadeiras divas, seja de salto alto num palácio ou de avental na cozinha.  Sempre houve dúvidas sobre se o cérebro feminino seria diferente do masculino. Uma das poucas informações disponíveis, até pouco tempo, era de que o cérebro do homem é, em média, maior e mais pesado que o das mulheres. Esse fato foi utilizado pelos homens durante muito tempo como argumento para afirmar que os homens seriam mais inteligentes, confirmando, assim, o mito da superi...

Encontros e despedidas

Imagem
Mande notícias do mundo de lá Diz quem fica Me dê um abraço, venha me apertar Tô chegando Coisa que gosto é poder partir Sem ter planos Melhor ainda é poder voltar Quando quero Todos os dias é um vai-e-vem A vida se repete na estação Tem gente que chega pra ficar Tem gente que vai pra nunca mais Tem gente que vem e quer voltar Tem gente que vai e quer ficar Tem gente que veio só olhar Tem gente a sorrir e a chorar E assim, chegar e partir São só dois lados Da mesma viagem O trem que chega É o mesmo trem da partida A hora do encontro É também de despedida A plataforma dessa estação É a vida desse meu lugar É a vida desse meu lugar É a vida ! Encontros, despedidas, saudade. Palavras muito lidas, escutadas, clichês.  Já faz algum tempo que essa música passou a fazer todo o sentido do mundo pra mim. E hoje ela me veio mais forte, como uma punhalada no peito: uma pessoa muito querida está partindo, rumo a uma nova vida em outro estado.  Na sempre tão cruel despedida, lágrimas...

O apertador de botão

Imagem
Há alguns anos, João foi contratado por uma fábrica para aparafusar caixas de madeira e despachá-las. No dia da entrevista de emprego, o dono da empresa lhe explicou sobre o serviço. Falou de todo o processo, o objetivo geral e a parte que lhe cabia. João não entendeu muito bem. Mas não importava. Bastava saber que, todos os dias, várias caixas diferentes lhe seriam entregues e ele teria que fechá-las com pregos para que viajassem com segurança. O salário não era muito bom, mas dava pra pagar as contas e sustentar a mulher e os filhos. Desde que chegava, até a hora de ir embora (exceto na hora do almoço, claro), o recém-contratado sentava numa cadeira e ficava esperando o superior lhe trazer as caixas de madeira.  Grandes, pequenas, médias. Para cada modelo, um número de pregos e uma técnica diferente. Com uma semana, aprendeu tudo o que precisava. Os anos foram passando e João continuava na mesma etapa, a última, de um processo que ele nem fazia idéia de qual era.  Um b...

Natureza humana

Imagem
Ser como ar, transparente, fugaz.  Ninguém percebe, mas ele se faz presente, mesmo sem alarde.  Pode se adaptar às mais adversas situações, formas. Se não  quiser, sai silenciosamente - da mesma forma que chegou. Ser como terra, constante, prática, materialista, conservadora.  Dar importância às raízes. Rodar o mundo, mas no final da  jornada,  voltar pro mesmo pedaço de chão.  Sentir o solo e, através dele, o mundo afora: seco, molhado,  quente, frio. Ser como fogo, fonte de luz e calor. Ter grande potencial ígneo e radiante. Ser capaz de descongelar icebergs e  enxugar rios de lágrimas. Atrair com a sensualidade das chamas,  espantar com a fúria do incêndio e proteger no conforto de uma  lareira.  E, por fim, ser como água, maleável, adaptável, limpa. Ser  transparente, mas algumas vezes  turva. Nem sempre ser consumível. Ser flexivel e volátil. Seguir  a correnteza. Saber represar e desaguar, quando for pr...

Ah, a semiótica...

Imagem
Me espalho em vários pedaços de mim Vermelhos, pequenos, diluídos em outros tons da palheta... Que eu vou pingando pelo chão. O que eu sou pra você, O que eu sou nesse blog, O que eu sou pra mim mesma, São partes, fragmentos. Às vezes maximizo  alguns e espanto. Noutras, resolvo não mostrar o que salta aos olhos. É importante sempre relativizar, olhar dos mais diversos ângulos. Nunca o que se vê é o que realmente é.